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[15 de abril de 2008]

Calou-se subtamente. Percebeu que chegava a hora de trocar-se e sair. Deixou-se ficar jogada na cama por mais algum tempo, telefone em mãos. A pessoa do outro lado também não falava nada. Desligou.

O corpo todo amortecido, sensação de ter esquecido de si mesma. Sentia-se realizada, nada mais precisava acontecer. Fechou os olhos, respirou fundo e quando percebeu faltavam apenas dez minutos para o horário marcado. Conformou-se em chegar atrasada.

Levantou-se, pegou as chaves e saiu. Iria andando mesmo. Era uma tarde ensolarada. Em sua cabeça ainda ecoavam as últimas palavras ouvidas no telefone. Em seu corpo ainda restava o alívio do silêncio repentino. Não era capaz de conversar nem consigo mesma.

Horas antes sentia certa ansiedade, mas estava inundada de nervosismo. Esperava uma resposta, uma mera resposta que fosse. Não vinha. O telefone não tocava. Chegou a começar a ligar ela mesma, mas desistiu.

Continuou caminhando. Já devia estar há dez minutos assim. Quase que diminuiu o passo, queria se atrasar mais ainda. Sabia que ao chegar seria submetida a inúmeras perguntas e acabaria perdendo-se do prazer que sentia em somente caminhar. Mas também, depois de esperar tanto por isso, por que não?

Foi então que percebeu o erro que estava cometendo e parou imediatamente. Precisava chegar rápido, naquele instante. Pensou em chamar um táxi, mas demoraria. Começou a correr.

Nunca foi boa em corridas, mas naquele momento mostrou-se a melhor. Seu coração estava apertado, mal conseguia respirar. Como foi se distrair tanto? Corria e corria. Tinha se esquecido do mais importante, do mais essencial. De correr.

Comentários

rytsan disse…
só pra dizer que sempre te leio =*