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[08 de maio de 2007]

Desenterra de mim todo o desejo do mundo que escondi no peito apenas por medo de uma brisa mais forte. Quero livrar-me desse peso, sopro que asusta a alma. Em nada mais penso, em nada mais existo. Esqueço-me de lembrar e traio o pensamento fiel. Escrevo devagar mas gostaria que fosse rápido, tudo me sufoca. Ouço a mesma música por horas e tudo me sufoca.

Sinto um aperto no peito e a dor de existir é imensa. Sinto-me feliz, estranhamente feliz, como um pássaro voando em círculos para avisar que vai chover. Não sei pensar em mais nada além do fato de que vai chover. Continuo voando em círculos, feliz.

De repente, não mais que de repente, minha mão, papel e lápis fundiram-se. Doía escrever no início, como uma repulsa ao desejo. Suspiro, meu corpo vive a contradição de libertar-se sem deixar de se prender e o desejo continua pleno em meu coração. Achei que ia passar e aqui cabe uma confissão: não passou.

Não sei bem como devo estar. Minha letra mudou tantas vezes durante a aurora que agora que é primavera já não sei mais quem sou. O desejo do mundo escapou de mim assim como eu escapei dele. Já não há motivos para me segurar, sou livre do peso que mantinha meus pés no chão.

Comentários

Anônimo disse…
A dor de existir sempre será uma dor pertinente, e enquanto ela estiver ali teremos a certeza que somos sensíveis ao mundo que nos cerca.

Não sei porque, mas acho que entendo tão bem o que escreve...

Bjs