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Platonicidades

[17 de dezembro de 2006]

O amor despontava. Único e platônico como deveria ser, completo e inatingível. Era assim que ela o amava. Suave. Doce. Sem pedir nada além de amar.

Ela o olhava. Era como se houvesse ele em todos os lugares. Envolvia-lhe. Acariciava-lhe. Perdia-se nos sorrisos alheios. Corria no sangue. Mas mesmo assim longínquo. Inatingível.

Não havia temores. Ela nunca tentaria alcançá-lo. Talvez o trabalho não compensasse. Talvez fosse apenas admiração confusa. Talvez nem fosse nada.

Amar. Desejar sem querer, apenas desejar. Apenas querer bem. Não roubar, não matar nem perder a razão. Fazer em prosa o que couber à inspiração.

O sentimento secreto. Indescritível. Não doía nem fazia cócegas. Ela apenas tinha os olhos. A mente indo além. Os sonhos confundidos com realidade. Ninguém pode garantir o que é real.

Amor abstrato. Amor menos amor. Sentimento sem classe, sem vontade nem maldade. Ela o encontra, mas não sabe bem o que vê. Dorme e acorda com ele. Sonha. Quem sabe um dia, um belo dia poderá aprender.

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