Pular para o conteúdo principal

Bolhas de Sabão

[29 de julho de 2008]

Bolhas de sabão são encatadoras. Sempre me perguntei até onde elas conseguiriam ir, mesmo sendo tão frágeis. Quanto maiores, mais frágeis e coloridas eram. Um colorido que ia mudando a medida que o tempo passava, a luz batia e o vento levava. Aos poucos tornavam-se mais finas, quase invisíveis, até sumirem sem estourar. Mas essas eram poucas. O mais comum era que elas estourassem antes mesmo de sair voando por aí, em suas efêmeras vidas de bolhas de sabão.

Gostava de ensaboar minhas mãos no banho e fazer bolhas enormes, mas que mal conseguiriam sair do lugar. Gastava horas nessa diversão infantil e gratificante. No entanto, o mais bonito mesmo era ver aquele monte de bolinhas no vento enfeitando o céu, subir numa banquetinha e passar as tardes soltando bolhas na frente de casa. Assoprar sempre tomando o cuidado para não engolir sabão, que não tinha gosto bom.

Não me lembro da maior bolha de sabão que já fiz na vida. Só sei que tais bolinhas combinam com o céu azul e sombra. Combinam com quatro horas da tarde. Com coisas simples e coloridas. Sempre me fascinava imaginar quanto tempo duraria uma bolha e até onde ela conseguiria subir sem estourar. Sou capaz de lembrar ainda que sentia uma leve pontada no peito quando alguma grande e colorida bolha simplesmente estourava. Meu maior desejo era que todas viajassem infinitamente ao sabor do vento, até o ponto que meus olhos não mais pudessem vê-las. E um pedaço de mim com elas iria.

Comentários