Pular para o conteúdo principal

Luna

[04 de agosto de 2008]

Descobri que sei o que é amar alguém quando passo por uma situação diversamente qualquer. Um momento meio que longo, meio que breve, mas que mexa com o mundo de sentimentos que abrigo em meu ser. Ao menos eu não amo à primeira vista. Apaixono-me apenas, com bastante força, talvez quase que por completo. Porém amar é um passo além, um espaço impossível de se alcançar apenas com as pontas dos dedos.


Nunca gostei de cães. Sempre os achei bonitinhos quando filhotes e não tinha nada contra nenhum deles. Só que também não os amava. Até que um dia minha mãe me pediu um cachorro. Passei um tempo negando-a tal pedido até que, já sem muita saída, fiz-lhe uma surpresa: apareci com uma cadelinha, a qual demos o nome de Luna. A bolinha de pêlos era linda e amorosa, tão encantadora que foi impossível não gostar um pouquinho dela.

Certo dia minha mãe foi para a praia e eu fiquei em casa sozinha. Como somos muito ligadas, essa foi uma das primeiras vezes que nos separamos por tanto tempo, cerca de duas semanas. Por coincidência, foram duas semanas bastante corridas e atarefadas, cheias de tristezas, trabalhos e alegrias. Vi-me voltando para casa triste, sem ter ninguém para conversar, desabafar. E lá estava ela, me esperando, abandando o rabinho e pedindo atenção. Foi então que eu notei que a amava profundamente. Me senti mais humana a partir daquele instante.

Amo de maneira simples, mas difícil de notar. Vivo em busca do calor e da maciez de quem amo. Vivo como se da sensação que mal se materializa e transforma-se em ar. Se eu disse que te amo você estará entre os poucos e bons que conseguiram me alcançar tão longe. Quando sei que amo viro criança, mal consigo esperar para te encontrar de novo.

Comentários