Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Setembro, 2008
[23 de setembro de 2008]

Por vezes me pego compenetrada em mim mesma enquanto faço algo que não necessite de meus pensamentos. Ao mesmo tempo que busco esvaziar-me, tateio o mundo de olhos fechados, como se sempre faltasse algo. Ao passo que tudo parece tranquilo, desejo então questões para ocupar-me.

Se paro, não é por querer. Estacionar-me, estatelar-me no caminho não é algo que me caiba, mas no fundo é minha obrigação. Pago a dívida de tanto ter corrido num instante para então descansar.

O descanso me irrita, esse é o problema. Um estado de pura preguila, viver a preguiça, respirar ópio e se deixar ficar tonto. O dia todo plantado no nada.

Eis-me agora com o problema. Irrita-me a demasiada ocupação da mente, tanto que, em casos extremos, ela corre o risco de desligar-se sozinha. Vivo uma tranquilidade interna por alguns instantes para então o turbilhão de pensamentos me afogar.

Sempre me pergunto como consigo me ser, fazer coisas que sequer imaginei ser capaz. Serei um acaso de mim mesm…

Mushi

[08 de setembro de 2008]

A água caia sobre sua cabeça e aliviava seu cansaço. Derrubava com toda a força o longo dia que tivera e ativava seus pensamentos. Questionava sua vida, tinha novas idéias, criava, sonhava. Tomava seu sagrado banho diário. Libertava suas angústias que escorriam como a água indo para o ralo, mesmo que limpa.

Ouviu um zumbido estranho vindo de longe. Aos poucos, mesmo que meio confuso, foi aproximando-se até chegar bem perto de sua orelha. Assustada, virou bruscamente a cabeça e jogou seus cabelos molhados para o lado do qual acreditava que vinha o inseto misterioso. O barulho então cessou.

Procurou por algum tempo por entre seus cabelos, ele só poderia estar lá. Não sabia do que se tratava, deveria ser algo nojento. Não tinha medo, apenas nojo. Logo no seu banho tão puro algo sujo vir atrapalhar seria imperdoável. No entanto, nada encontrou em seus cabelos, nem no chão ou muito menos no resto do banheiro.

Continuou a banhar-se um pouco desconfiada. Tinha a impressã…

Mormaço e Flores

[03 de setembro de 2008]

No início do mês de setembro era comum sentir o perfume das flores pelo ar quando se saía à noite. Tão comum que já nem notava mais tal detalhe enquanto caminhava de volta para casa. Nem o vento um pouco quente que deslizava em sua pele e mexia seus cabelos. Tornou-se incapaz de sentir muitas coisas com o passar dos anos, acreditou até mesmo que pedaço da sua humanidade havia sido jogado fora.

Sua mente estava completamente vazia, não prestava atenção em nada, apenas seguia seu caminho de volta sem um pensamento sequer. Até o instante em que, ao atravessar a rua, uma forte dor no peito o acometeu. Sozinho no meio de um lugar praticamente deserto, não podia fazer nada além de sentir.

Por mais que tentasse, não conseguia chamar a atenção de qualquer um dos poucos carros que passavam por ali. Iam todos correndo e provavelmente teriam receio de parar no meio da noite para um estranho acenando sofrivelmente, quase como um louco. Sentou-se então no degrau de uma loja…