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Mushi

[08 de setembro de 2008]

A água caia sobre sua cabeça e aliviava seu cansaço. Derrubava com toda a força o longo dia que tivera e ativava seus pensamentos. Questionava sua vida, tinha novas idéias, criava, sonhava. Tomava seu sagrado banho diário. Libertava suas angústias que escorriam como a água indo para o ralo, mesmo que limpa.

Ouviu um zumbido estranho vindo de longe. Aos poucos, mesmo que meio confuso, foi aproximando-se até chegar bem perto de sua orelha. Assustada, virou bruscamente a cabeça e jogou seus cabelos molhados para o lado do qual acreditava que vinha o inseto misterioso. O barulho então cessou.

Procurou por algum tempo por entre seus cabelos, ele só poderia estar lá. Não sabia do que se tratava, deveria ser algo nojento. Não tinha medo, apenas nojo. Logo no seu banho tão puro algo sujo vir atrapalhar seria imperdoável. No entanto, nada encontrou em seus cabelos, nem no chão ou muito menos no resto do banheiro.

Continuou a banhar-se um pouco desconfiada. Tinha a impressão de que algo tocava de leve a sua pele de vez em quando. Concluiu que era o bichinho. Saiu do banheiro e a sensação continuava, mas ela tentava não se incomodar muito.

Quando estava quase dormindo, naquele estado de sonho real, ela ouviu o zumbido novamente. Foi trazida de volta ao mundo e o zumbido continuava. Acendeu a luz, procurou por todo quarto e nada achou. Procurou por toda a casa. Passou horas e não obteve sucesso algum. Desistiu quando notou já não conseguiria manter seus olhos abertos.

Já acostumada com o zumbido, foi dormir. E o pequeno animal, já tão preso a acostumado à ela, mal sabia por onde começar a explorar a sua mente.

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