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[19 de novembro de 2008]

As lotéricas dos shoppings são as mais movimentadas. Abrem às 10h e só fecham às 21h, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Ela entrava às 15h e ficava até o término do expediente das máquinas. Às 18h tinha cerca de meia-hora para tomar um cafezinho, muitas vezes requentado e fraco.

Recebia pagamentos de contas e fazia jogos de muitos esperançosos que ainda acreditavam na mínimíssima probalididade de ganhar na Mega Sena. Em dias mais movimentados chegava a atender cerca de quatrocentas pessoas. Seu trabalho era mecânico e exigiar muita atenção.

Continuava a receber contas normalmente. Pilhas e mais pilhas delas. Foi então que um cliente ofereceu-lhe uma bala. Tinha no rosto um sorisso e um ar de gratidão por ter sido tão bem atendido. A moça não sabia direito o que fazer, era a primeira vez que isso lhe acontecia. Mas a fila não parava e logo um casal aproximou-se do caixa. Quase sem perceber ela os atendeu muito bem, cheia de alegria e simpatia, bem diferente do trabalho mecânico de outrora.

Deixou a bala recebida ao alcance dos olhos. Estava maravilhada porque era exatamente a que mais gostava. Café. Fazia as contas com prazer e desejava toda a sorte do mundo a todos que realizavam a fezinha diária. Já indo embora do serviço decidiu comer o doce. Abriu o pacotinho delicadamente e puxou a bala com os lábios. Não ousou tocá-la. Logo notou que a bala era tão, mas tão doce que não conseguiria chupá-la até o fim. Cuspiu-a novamente no pacote e guardou-a no bolso. Melhor assim.

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