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[19 de novembro de 2008]

O cheiro de grama recém cortada adentrou a casa. Foi deitar-se já no início da madrugada. O que mais seu corpo ansiava era esticar-se por entre as cobertas e entregar-se ao universo da preguiça. Nesse estado latente, quase vegetativo, separou o corpo da mente e voltou a pensar no quanto adorava ver a grama aparada.

Era primavera e tudo crescia muito rápido. Chuva e sol, sol e chuva. As plantinhas agradecem mas ela, em termos, não. Ah, o gramado baixo de dias atrás, como era lindo e único, quase uma obra de arte. Nem ao menos quinze dias passaram-se e lá estava ela novamente: a vontade de cortar a grama. Os dias transcorriam como o verde que aumentava a sua volta. A vontade louca de cortar a grama crescia como o mato em flor, bem primaveril.

Contratou um jardineiro para cortar-lhe o gramado. Tudo em vão. Encontrou-se, então, com um problema pertinente. Por algum motivo desconhecido seu desejo de cortar a grama não havia passado. Por um instante acreditou que bastaria simplesmente ver o mato baixo de novo pela janela. Decidiu-se a comprar um cortador de grama assim que crescesse tudo de novo - tanto o desejo quanto o verde.

Mais quinze longos dias de primavera passaram-se até o mais esperado momento. Vestiu-se a carater, pegou todos os acessórios necessários e começou sua festa particular. Ventava, e muito. Era grama para tudo quanto é lado. Grudou-lhe verde até nas narinas. O que mais deu-lhe prazer foi o trabalho dobrado de varrer o monte de matos contra o vento.

Orgulhosa de si, viu tudo limpo, ficando apenas um monte de grama no canto do jardim. Olhou-o carinhosamente e por fim descobriu o que tanta a atraía naquele verde. Arrumou o amontoado de matos com as mãos e jogou-se ali mesmo para cochilar.

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