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[04 de dezembro de 2008]

Estou há muito tempo pensando em quem sou exatamente. Aos meus 22 anos mal posso dizer o que estou fazendo ao certo. Sinto-me tão jovem e tão velha ao mesmo tempo. Não sei o que eu gostaria de ser, como eu gostaria de agir. Nunca escolhi estar onde estou, sejam as coisas boas ou as coisas ruins. Sinto-me perdida no meu próprio espaço, mal consigo me colocar no lugar que me pertence: dentro de mim.

Sou-me profundamente, tanto que quase vou explodir. Comparo-me aos meus amigos jovens e não sou como eles, estou tão longe disso. Estão todos tão tranquilos e seguros de suas vidas - ou ao mens transparecem isso. Vivem um dia após o outro como se milhares de preocupações nunca chegassem até suas mentes. Sempre acreditei que aos 22 anos eu não seria metade de quem sou. Sinto-me tão velha, mas olho de novo minha idade e me assusto.

Doí muito pensar na existência. Agora mesmo enfrento uma dor de cabeça que se multiplicaria se eu simplesmente me negasse a escrever. Minhas pequenas conquistas, quem as vê? Talvez ninguém precise saber nada de mim e cada dia mais sinto que estou me calando para o mundo. Conto menos de mim para as pessoas, só fico ouvindo e ouvindo. Colhendo pessoas.

Muito quero. Certas coisas eu sei muito bem sobre querer. Vejo que meus sonhos estão cada vez mais interligados, como se sonhasse enorme e flutuante. A liberdade é tão louca, tão maciça que acaba nos aprisioando. Queria mesmo uma coisa toda e não um pedaço de momento. Algo todo meu, arrancado do meu todo e jogado no mundo. Mas sou-me impossível de jogar fora, logo continuo vivendo para ver no que vai dar.

Sou assim profunda e mal posso esperar para me cavocar um pouco mais. Estou sofrendo, entende isso? Não se trata de solidão nem de saudade, sofro por estar viva. Não consigo me livrar dessa exsitência barata na qual acabei caindo. É muito doloroso ter que dormir e acordar todos os dias com essa mesma pessoa que se nasce e cresce. Faz-se difícil reconhecer-se no espelho, dizer exatamente quem se é. Assumir-se. Jogar-se nas próprias verdades.

Amor, amigos, casa família... E depois? Quem somos quando é noite e ninguém está por perto? Dói buscar-se assim, sofro pela minha teimosia. Quero saber o que estou fazendo aqui. Porque me jogaram nessa. como usar esse tempo que me deram para viver. Busco, então, o mero prazer de talvez um dia acreditar que encontrarei a tal da resposta.

Faz falta ser simples, não importar-se com coisas pitorescas nem tentar partilhar isso com o mundo. Sempre desejei não pensar. E quanto mais penso em não pensar, mais ainda estou pensando. Minha mente está pesada, como quer que eu consiga deitar e dormir facilmente? Gostaria de apagar todas as coisas que me afligem e ser mais uma tola no mundo.

Comentários

Alisson da Hora disse…
às pessoas que se dispõem a ser diferentes de tudo que há nesse mundo, as reflexões tendem sempre a ser cada vez mais profundas...todo mundo é muito parecido e a gente sempre é o diferente (o diferente de verdade, não o diferente que hoje se vende em butique). A gente até sonha com a morfina dos tolos, mas cabe a nós sermos verdadeiramente autênticos...e isso, hoje em dia, aliás, como sempre, dói. E muito.

mas, afinal, é recompensador...

abraços ;)
cipexbr disse…
Ser diferente é a busca de todos, deixando alguns melancólicos ou depressivos. Mas ser realmente diferente faz de poucos sobreviventes na selva da vida.
Fazer alguma coisa além de trabalhar e estudar é o ideal, pois você preenche o vazio da vida e dá significado a ela. Seja um hobby que o satisfaça, um trabalho voluntário (sem que vc seja empurrado pra ele, naturalmente), uma organização de evento, algo que fuja do tradicional e entediado dia-a-dia. Isso, nos faz melhor, nos faz realmente diferente e sempre recarrega nossas energias para continuar vivendo nesse mundo nem sempre justo.