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[30 de agosto de 2008]

Por motivos excusos prometeu que nunca mais diria seu nome. Foi um choque para ele, uma decisão tão repentina. Mesmo assim saiu sem buscar uma explicação lógica para a moça que lhe observava atentamente. Aquele olhar cheio de ira não enganava: ela transbordava de ciúme.

Andando calmamente, procurava uma razão para tal promessa. Não conseguia encontrar em sua mente sequer um instante no qual não a amasse. Era um completo apaixonado, vivia por ela. E agora isso. O pior é que não sentia dor, via a situação com certo bom humor até. "Deve ser uma brincadeira", pensava consigo.

Passados dois dias, tentou ligar-lhe. Ninguém atendia. Depois de um dia inteiro nisso, idéias confusas passavam pela sua cabeça. Talvez ela tivesse sumido. Ou pior, alguém a tivesse sequestrado! Era simplesmente impossível ela não lhe atender, já que não havua nenhum motivo para que a mágoa se prolongasse por tanto tempo.

Continuou telefonando por uma semana, no entanto, com o passar dos dias sua insistência ia perdendo a força. Começava a sentir uma pontada no coração e descobriu que estava com saudades daquele nariz empinado.

Foi até sua casa. Era uma tarde ensolarada de sábado, um dia daquele que só de olhar é possível saber que tudo dará certo. Desceu do ônibus, andou algumas quadras e parou defronte ao portão da casa dela. Apertou a campainha e ela imediatamente apareceu na janela. Ao vê-la assim tão de repente, seu coração teve um sobressalto, mas logo acalmou-se.

Abriu o portão sem dizer uma única palavra, mas sua expressão confessava tudo: estava feliz ao me ver. Sentamos no sofá um ao lado do outro, a brisa brincando com as leves cortinas da sala, televisão ligada. Eu simplesmente não sabia o que dizer, não havia achado um bom motivo para tudo aquilo. Queria abraça-la, estava tão perto de mim... Mas levantou-se.

Mais uma vez aquele olhar que questiona, ciumento.

- Não sei o que está acontecendo, se fiz algo de errado, se falaram algo de mim... Realmente não sei de nada. Vim até aqui para pedir desculpas por qualquer coisa e dizer que te amo, só isso.

Ela sorriu abertamente. A satisfação brilhava em seus olhos e foi então que fiquei ainda mais confuso. Algo me dizia que a pior parte ainda estava por vir. Quando eu estava prestes a falar, ela selou minha boca com um beijo e disse:

- Tudo bem, não foi nada. Eu só queria te testar. Te testar e te ouvir dizer "te amo".

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