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Mostrando postagens de 2009

Memai 1º no ar!

Finalmente a edição 1º do Memai está toda no ar! Você pode lê-la tanto em PDF, através do site Issuu (http://issuu.com/jmemai/docs/jornal_memai_01) quanto diretamente da home page do Memai (http://www.jornalmemai.com.br). Deixo abaixo o sumário do jornal, com os principais assuntos abordados. Tenha uma ótima leitura!

ISSHIN DENSHIN: GATO WABI SABI
Lina Saheki explica o mistério do Wabi Sabi, um conceito nuclear na estética japonesa


YUGEN: O POLACO NEGRO ZEN
Célio Yano traça o retrato de Paulo Leminski, que 20 anos após sua morte, é um dos principais difusores do haicaísmo em terras brasileiras


SHI: HAIKU
PIMENTA COM
HAICAI ASAS
LIBÉLULA SEM
O poeta José Marins apresenta os cinco estilos de haicai vigentes no Paraná.


KARUMI: SUPER SENTAI
Danilo Hatori apresenta os seriados japoneses em que os heróis tem uma pequena ajuda de robôs gigantes


KARUMI: SHOUJO
Mylle Silva explica porque as revistas japonesas para adolescentes fazem sucesso aqui e lá


FU: FERNANDA…

Descompromissadamente

O fato é o seguinte: eu não consigo me matar. Por favor, não me entenda mal, eu apenas não consigo me largar de mim mesma. Há algo incrível que chamo de inquietação e isso faz com que eu me canse fácil de tudo e queira mudar a todo instante. O problema é que também não quero mudar para sempre, quero só mudar por uns instantes e depois desejo voltar ao início e vivo assim um ciclo interminável de quereres nunca realizados ao todo. Como tudo na vida, tem um lado bom e outro ruim.

É ótimo passar uns dias sem compromisso com nada, apenas consigo mesma. Passo do estágio de dúvidas para as certezas depois de três dias me alimentando de entretenimento barato. Depois da ativação prévia, minha mente fica pronta para imaginar e receber informações um pouco mais questionadoras, eu diria.

Sabe, muitas pessoas que se dizem "intelectuais" cometem o belo erro de fugir da TV, rádio, Internet ou tudo mais que é visto como cultura de massa. Na minha opinião tudo é aproveitável - na pior das h…

Eu Sou a Lesma

Eu sou a lesma
Ai que tristesma
Todos me sabem na noite
Meus caminhos trilhados
A lua revela no chão
Meu corpo mole sem cor
É minha única fonte
De ser lesma
É uma belesma
Disforme e nojenta
Cantar eu não posso
Mel eu não faço
Nem sonhos eu tenho
De ser borboleta
Em meu corpo está escrito
Você é a lesma
Minha dura naturesma
Me fácil derrete
Me queima inteira
Tão limpo tão simples
Com tempero de mesa
Ao sal me entrego
E de pronto ele me aceita
Pois sabe muito bem
Que sou-em assim mesma
[09 de setembro de 2009]

(...) Tentou pensar em algo, qualquer coisa. Pensou em uma maçã, uma linda maçã vermelha. A fruta na árvore – mesmo sem nunca ter visto tal fruto no árvore – e depois a assisitu cair delicadamente no chão após vê-la rodopiar algumas vezes no ar. Foi assim que se acalmou e tentou voltar a sua retrospectiva particular, mas não obteve sucesso. O vazio estava todo ali, vinha e mordia a maçã, acabava com a cena. Nessas horas ela já quase dormia, quase dormia...

Mesmo entorpecida pelo sono chegou a conclusão de que sentia falta de algo. Perdera uma parte importante como quem perde um dente e só lhe resta um espaço vazio na boca, o qual, ao sabor da língua, parece maior do que realmente é. E nesse estado de pensamento sem pensamento, Ana dormiu um dos melhores sonos das últimas semanas. (...)

Maturidade Musical

Seria mentira se eu dissesse que sempre gostei de samba. Sempre achei sonoro, mas não gostava de verdade. Isso até dois ou três dias atrás. Sem querer comecei a ouvir com atenção alguns sambas do CD da Marisa monte "Infinito ao Meu Redor" e fui contaminada. Ouvi esse mesmo CD em 2006, ano de seu lançamento e não tive a mínima paciência de apreciá-lo. Para testar a minha mudança comecei a ouvir outros sambas nas vozes - consagradas ou não - de outros artistas e cheguei a conclusão que algo havia mudado. Talvez eu tenha ganhado um gingado, um sentido de malandragem que não passava pela minha cabeça antes. Ou apenas um ouvido mais atento.

Mas olha, o que importa é que estou feliz e começarei a espalhar sambas por aí. Comecemos então:





Tá, não é samba mas eu não podia deixar de postar esse vídeo aqui:

[21 de setembro de 2009]

Memórias. Nunca tive muitas dúvidas sobre o que nos ligaria por tantos anos, mesmo que temesse a separação. Brigamos tantas vezes, nos afastamos tanto... Mas mesmo assim continuamos juntos. Esse estar juntos não é algo necessário de se dizer, basta que estejamos e pronto. A energia fica diferente, natural.

E pensando agora as energias são diferentes. Quando estou com um determinado grupo de pessoas tenho sensações diversas. Não depende apenas da situação, mas das pessoas presentes também. Talvez por isso eu adore misturar pessoas de energias tão diferentes, gosto de ver o que acontecerá.

Às vezes eu queria poder guardar a energia que as pessoas me passam. Queria armazenar toda a impressão maravilhosa que deixam, tudo de bom que transmitem só com a presença. No entanto sei bem que só me resta agradecer por ter encontrado tantas pessoas especiais na minha vida - e olha que estou apenas começando a viver!
[18 de setembro de 2009]

Estou aqui há sei lá quanto tempo pensando em preencher esse espaço. Claro que eu poderia deixa-lo assim, em branco, e logo me esqueceria do tal vazio de agora. No entanto, como tenho mania com datas e horários - apesar de nunca respeita-los - decidi registrar esse instante-já (Clarice, me perdoe por esse plágio).

Sinto-me tão tranquila que tenho medo por saber que antes mesmo que eu note a paz me deixará. A tão rara sensação de nem muita tristeza e nem muita alegria - o equilíbrio, enfim. Sei muito bem tal silêncio, tal branco em minha mente será mera lembrança e, se algum dia eu voltar a ler essas palavras, talvez não as entenda por completo.

E a paz é tão grande que abraça o medo.
[15 de setembro de 2009]

Falou uma besteira qualquer que lhe surgiu na mente. Ou quase. A questão era que naquele momento qualquer besteira poderia ser perigosa. Preencher com palavras o silêncio de nem um minuto de cada passo no espaço da caminhada.
[31 de agosto de 2009]

Fui embora por muito querer ficar. Estava quase ficando num para sempre que duraria o tempo que eu bem entendesse. Me vi redonda num mundo plano, fiquei repleta de uma alegria poderosa e passageira. A sensação de um amor que começa e termina ao mesmo tempo, inevitável por sua própria existência. Prendo em meus olhos as estranhas lágrimas que teimam em cair.

É tão fácil ir ou ficar quando se tem vontade, mas contrariar-se dói. A dúvida, a saudade instantânea, tudo ali diante de mim e eu querendo isso de novo.

Sei que todos os dias preciso me repensar porque me esqueço. Às vezes tenho mesmo é muito medo de mim.
[05 de julho de 2009]

- Veja bem, - disse com a voz bastante acentuada - só continuo vivendo porque fiquei com uma forte impressão. O que tenho é a certeza de que estamos prestes a nos desmanchar, assim como as rosas vermelhas que vão perdendo as pétalas e mostram seus miolos secos cheios de fruto e sementes. Desde a primeira vez que te vi eu percebi essa verdade tão aguda e até tentei esquivar-me dela. Pois é, de nada adiantou. Logo mastigaremos nossos frutos proibidos e cuspiremos as sementes pelo caminho.

Coletânea de minicontos reúne dez autores paranaenses

Fonte: Paraná Online
Será lançada no próximo dia 10 de julho a coletânea de minicontos A brisa é você, um livro com 200 minicontos de dez autores paranaenses, publicado pela editora Araucária Cultural. O lançamento será no hall da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133 - Centro), às 18h, com a presença dos autores.
E de 13 a 17 de julho, será realizada a Semana de Leitura A brisa é você, na Biblioteca Pública do Paraná, sempre das 18h às 20h, na Sala de Reuniões, no 3.º andar.
O projeto tem como objetivo divulgar a coletânea de minicontos pioneira no Paraná, incentivar a leitura e tornar conhecido o gênero das narrativas breves, denominadas de minicontos. Informações: 3029-8713.
[03 de julho de 2009]

Sou tão pequena, tão pequena que mal posso me conceber. Toda vez que penso um pouco apenas sinto que preciso correr e extrapolar o limite que me coloquei, como se o tempo estivesse se esgotando. Os dias me vão passando como uma pasta amorfa, e ainda sinto que preciso fazer mais. Mais o que, afinal? Que bela resposta eu teria se ela existisse.

Medo. Esse medo que pulsa no meio peito faz com que eu me sinta incompleta.

Poética

Com licença
Poética
Estou chegando
Devo me apresentar
Sou-me assim
Desnudo-me aqui
Respiro enfim

Vivo de te buscar
Nas entranhas
Em que caibo
Nos vasos
Que me bombeiam
Nos músculo
Que me movimentam

E de ti nada
A meu ser resta
Apenas te invadir
Querer-te ao ponto
De te neglicenciar
Como a ti não contenho
Engula tudo de mim
[25 de junho de 2009]

Guardava severamente aqueles momentos para si. Eram de uma felicidade de vapor quente que ficava acima de sua cabeça, felicidade miásmica. Olhou a noite, a mais bela das noites e decidiu que era tempo de viver. E viveu. Sentiu-se tão próxima de si mesma que percebeu uma cumplicidade muda brotar-lhe no peito, daquelas que só temos com aqueles que muito bem conhecemos.

No espelho havia seu rosto. Olhar-se nos olhos era sempre uma tarefa complicada, porque mesmo quando uma pessoa vê seu reflexo seleciona o que quer enxergar. Dessa vez decidiu ver seus próprios olhos. Só assim conseguira chegar a conclusão de que não poderia mentir para si mesma, até porque mentir não era o seu forte. As verdades todas pairavam em seus olhos e ela não poderia evitar tal fato.

Percebeu o brilho no castanho, já não conseguia disfarçar a felicidade e provavelmente não seria capaz de mascarar a tristeza quando a sentisse. Olhava-se e recontava toda a alegria do mundo para si, agora em segre…
[18 de junho de 2009]

Ele era um mistério. Um silêncio difícil de alcançar. Aparentava ser sucinto, mas aos poucos percebia-se que era cheio de reticências. Era daqueles calados cheios de coisa pra dizer mas que por enquanto apenas viviam para escutar. No momento em que ele abrir a boca pra falar, que ele finalmente pronunciar suas primeiras palavras... O tempo se quebrará.

Playing For Change

Dispensa grandes comentários. Basta dizer que a iniciativa de reunir músicos do mundo inteiro para, através da linguagem universal da música, promover a paz é no mínimo emocionante. O resto você ouve e sente.

Cara Clarice

Aquela coisa que ele estava sentindo devia ser, em última análise, apenas ele mesmo. O que teve o gosto que a língua tem na própria boca. E tal falta de nome como falta de nome ao gosto que a língua tem na boca. Não era, pois, nada mais que isso. (Clarice Lispector, A Maçã no Escuro)Acenderam a luz e eu despertei. Abri os olhos sem querer, o cobertor no meu rosto. Ouvi o leve raspar dos meus cílios no tecido e repeti o movimento inúmeras vezes. A luz era rosa e eu me negava a viver, queria continuar ali no sonho, na sensação apenas.

Acordar verdadeiramente é um desafio ainda maior quando se está gripado. Quando fico doente sinto uma tristeza diferente de todas: a de reconhecer que estou fraca. Meus pensamentos se perdem e durmo tanto que até sinto culpa. Sou-me incapaz de fazer tudo como outrora.

Meias de lã. Sinto como se andasse em nuvens. A cada passo concluo ainda melhor que já não consigo mais pensar direito. Às vezes me pego andando em círculos, em busca de um centro. Não tenho di…

Laranjinha Água da Serra

Estou viciada em Laranjinha Água da Serra - talvez um dos vícios mais poéticos da minha vida. Durante os últimos encontros da Oficina Literária da qual participei sempre tinha uma garrafinha dessas por lá. Não sei se pelo horário, pela fome ou pelo ambiente, mas achei a bebida muito boa. Desde então, sempre que posso compro uma Laranjinha para mim, como se buscasse a fresca lembrança desses bons momentos.

Já comprei outros refrigerantes do Água na Serra, mas nenhum é tão bom quanto a Laranjinha. Essa é, oficialmente, a minha bebida para inspiração, hehe.

Falando nisso, não sei ainda se vou participar de uma nova oficina nesse ano. Aliás, tentar participar de verdade, por mais que às vezes fique meio complicado. Não me importo muito com certificados de presença - ainda mais quando não os mereço - mas gostaria de ver algo diferente por agora. E que não fosse logo no sábado de tarde, que às vezes é ocupado pelo meu trabalho.

(I)maturitade Intelectual

Sei bem que não posso voltar no tempo, mas que, por outro lado, nunca é tarde para começar. Além de escrever, tenho pensado bastante no jornalismo. Posso dizer que me transformei em outra pessoa enquanto estudava isso, então não é tão simples assim desligar-me dessa espécie de raiz que criei com a profissão.

Terminei o curso dizendo que odiava tudo aquilo. Sabe como é, ódio demais é amor reprimido. Vivia num ambiente hostil, meu sonho momentâneo era livrar-me daquele mundo. Achei, por muito tempo, que isso bastaria. E não bastou. Sinto falta de um pedaço de mim, um pedaço que ainda acreditava naquilo.

Um amigo meu, também jornalista, resumiu bem o que sinto: "você gosta da função social do jornalismo mas não gosta de como é a profissão". Quando ele disse isso foi como se uma porta se abrisse na minha mente, foi mágico. No fundo sinto um prazer imenso em saber que as pessoas estão lendo o que escrevo, não importa o que seja.

Desanimei com a profissão ainda na universidade. Nunca…

Maturidade Intelectual

Faz algum tempo já que venho pensando em quem sou como escritora. Com muita facilidade chego a conclusão de que não sou ninguém. Não por pessimismo nem nada, apenas uma constatação realista sobre a minha posição no mundo - isso sob meu olhar, claro.

A minha adolescência foi o momento da descoberta da escritora em mim. Nunca tive acesso aos clássicos, nessa época li coisas bem infanto-juvenis. Eu amava a biblioteca da escola, foi ao entrar lá que decidi pela primeira vez que eu seria escritora. Era como se os livros me chamassem. Uma professora de português me incentivou muito, lia meus textos com muito interesse, sou muito grata a ela. Houve também uma fase de escrever poesias para amigos, a namorada presenteava o namorado e vice-versa, coisas que me deixavam muito feliz.

Foi então que começaram as mudanças. A verdade é que o meu mundo se resumia em casa e na escola até os 17 anos de idade. Só aos 18 eu comecei a conhecer o resto, tudo isso que é Curitiba. E veio o jornalismo, essa cois…
[07 de junho de 2009]

É muito difícil me ser porque me conheço demais, estou inundada de mim mesma. Por isso às vezes desejo me deixar, me desconhecer, me olhar por fora e não por dentro. Ser mais uma pessoa dentre todas as outras pessoas com quem cruzo pelo caminho. Olhar-me e ver o que penso sobre mim mesma sem me conhecer, sem saber onde dói ou o que mais gosto.
[05 de junho de 2009]

Viu a verdade atravessar na sua frente de mãos dadas com o desejo. Ficou congelado assistindo a cena. Não saia do lugar apesar de afastar-se. A única imagem que via era aquela, mesmo já tão longe. Não conseguia sentir nada, era uma casca, um vazio pleno. Poucos instantes antes chegou a acreditar que ela lhe observava com um discreto sorriso nos lábios, e agora isso.

A verdade é perigosa. Nada nela é absoluta, e nem precisa ser. Apesar de estar diante dos olhos dele, o rapaz prefere continuar acreditando no que não vê. Prefere rememorar as conversas soltas durante a tarde, os sonhos partilhados, as pequenas confissões juntos. Quando se afastam, se desconhecem e esquecem, são miragem um para o outro. São o pedaço de ilusão que carregam em suas próprias existências, como se nada tivesse acontecido. Procurava continuar idiotamente feliz mesmo diante da dura verdade.

Sabia que o casal estava preso numa bolha de ilusão em sua mente, mas mesmo assim não deixava de acredit…
[04 de maio de 2009]

Estava vendo a minha "rede de amigos" no Orkut. É algo realmente interessante reunir num só espaço - mesmo que virtual - as pessoas com as quais você já teve contato. Não apenas para saber quem tem mais amigos, a questão é outra: é que as pessoas somem das nossas vidas.

Um pouco além de simplesmente bisbilhotar a vida alheia - e confesso que gosto de fazer isso de vez em quando - as pessoas somem de nossas vidas a tal ponto de se tornarem meras miragens em nossas mentes. Quando de reprente você se depara com uma lista de pessoas com as quais já teve algum tipo de contato, é como se suas memórias fossem cutucadas e algo vazasse.

As coisas que queríamos esquecer continuam lá, elas existiram, não foram ilusões. Vivemos tanto e tão pouco que fica difícil avaliar exatamente do que sentir saudades. Hoje estou aqui, usando meu tempo nessas palavras que sei lá quem lerá, amanhã falarei com sei lá quantas pessoas e assim tudo continuará igual. Quando eu der conta a…

O Minotauro - Valêncio Xavier

Pois é, eu li. E de agora em diante tentarei escrever algumas linhas do que ando lendo, um novo exercício. Nada de dizer verdades sobre uma obra, muito menos de ficar interpretando cada linha. Apenas um breve comentário para ativar minha mente.

Confesso que a princípio não gostei muito, não é o tipo de história que me encantará pela vida toda. No entanto, fiquei com aquela pulga atrás da orelha depois dessa leitura tão imediata. Foi tão rápido que nem deu tempo em de pensar em nada!

O enredo é o seguinte: um homem leva uma prostituta para um hotelzinho qualquer, transa com ela e ambos adormecem. Como ele teria que pagá-la ao acordar, decide fugir do lugar antes que ela acorde. O problema é que o hotel estava completamente escuro e não havia nada para iluminar o ambiente. Logo ele se perde por entre os corredores do prédio, criando assim uma tensão que não se desfaz nem no término da história.

A narrativa é intercalada por flashs de conversas e dados de alguns acontecimentos. Entre eles …
[03 de junho de 2009]

Só de pensar me corre um frio na espinha. Não só porque está realmente frio, mas também porque penso. Escondo todos os meus defeitos debaixo da roupa, mas quem me despir terá que aceitá-los. Vivo dessas coincidências, desses por acaso mal feitos no meu caminho. Não sei bem o que fazer com tudo isso, então continuo vivendo, não em busca de uma resposta, apenas aproeitando o vento que me sopra.
[30 de maio de 2009]

Devo marcar esse dia com algo extremamente diferente que me aconteceu. Estava eu deprimida numa fria tarde curitibana quando decidi visitar a biblioteca. Sabe como é, tenho uma ligação forte com os livros, algo meio carnal, eu diria e o fato de não ir a tal biblioteca há muito tempo me fazia ter certa necessidade em encontrar os ditos livros. E lá fui.

Além de triste eu estava dormente, fazendo dessa uma expriência estranha. Caminhei por entre as partileiras cheias de livros tão queridos, corredores já tão conhecidos. Escolhi algumas obras e fui sentar-me para ler. Peguei Alice Ruiz, o único livro dela que havia: Navalhanaliga. Li e fiquei revirando aquele amontoado de palavras por um tempo, coloquei o livro na mesa e fui embora.

Devo ressaltar que enquanto escrevo isso ainda não acredito que realmente tenha acontecido. Logo que cheguei em casa adormeci. Quando minha mãe me viu não comentou se me ouviu saindo - ela estava dormindo quando saí e quando voltei, mas tem…
[29 de maio de 2009]

Me olho no espelho e não sei porque respiro, porque existo. Sempre que acredito estar no caminho certo, me esforçando para que as coisas aconteça, cometo um erro grave e alguém sai magoado. Caio nesse ciclo maldito, sempre.

(Um desabafo aparentemente infantil, mas extremamente necessário)

(en)cerração

[22 de maio de 2009]

cerra
cerra
cerra
ção

encerra
e cerra
minha
visão

língua
olfato
palato
expressão

luzes
desfoque
estrela
no chão

suspiro
espirro
na mente
um clarão

mareja
os olhos
da rosa
o botão

ruelas
vermelhas
de sonhos
se vão

me calo
não falo
nem q' sim
nem q' não

caminho
sozinho
não sei
onde'stão

tranca
no tranco
do meu
coração

P.S.: É uma poesia bem bobinha, com um ritmo marcadinho, praticamente um exercício que me propus a fazer ao invés de escrever (mais uma vez, aliás) sobre a cerração noturna, que eu adoro.
[17 de março de 2009]

Meus olhos nos olhos dela, eu só esperava uma resposta. Depois de um tempo de contemplação ela diz que não se lembra do meu nome e sorri, como se num gracejo. Logo volta seu rosto para outro lado e eu fico lá a esperar um resto de resposta, algo que viesse confirmar minha suspeita de que não passava de uma pequena brincadeira para me confundir. Mas nada disso aconteceu e nossas vidas prosseguiram normalmente.

Num dia qualquer eu poderia contar o meu nome a ela, mesmo que me respondesse que já o sabia. Mais umas palavras trocadas e nos separaríamos imediatamente. Talvez eu tivesse a coragem de falar-lhe todos os dias e dessa maneira começaria a criar laços de afeto entre nós. Chegaria então o belo dia em que só nos olhando saberíamos o que dizer um ao outro sem palavras e seríamos felizes.

Preferia pensar que ela gostaria que eu falasse com ela diariamente e me escondia bem longe assim que surgia uma mínima chance de nos aproximarmos. Voltava só quando tinha a certe…

Ai no Poltergeist

[14 de maio de 2009]

Uma grande lua cheia e dourada iluminava o céu no momento em que recebi aquele telefonema. Mal sabia o que responder quando o desconfortável silêncio obrigou a pessoa do outro lado da linha a desculpar-se profundamente por ter anunciado a notícia. Lembro-me que passei alguns longos minutos com o corpo vazio, tive a impressão de que a lua se aproximava dos meus olhos com certa velocidade até que me deixei cair no chão.

Nosso namoro durara pouco, muito pouco, mas sabíamos que o sentimento sempre esteve lá, escondido em algum lugar distante. Não houve tempo para os primeiros planos, nem para conhecer todos os membros da família. Vivemos apenas os primeiros passos de algo que viria a se transformar em amor, apenas as tímidas descobertas e a calor dos primeiros carinhos trocados. O desejo infantil de ter o outro ao lado para sempre, sempre...

Fomos namorados por dois meses e seis dias, exatamente. Já fiz e refiz tal conta tantas vezes que seria impossível errar numa hora …
[26 de fevereiro de 2009]

Queria eu um caderno fresco, mas isso não tenho. Jogo umas palavras num rascunho qualquer, só para saciar minha vontade de livrar-me dela. Queria eu a mais poderosa das idéias dos sonhos. Fico aqui pensando apenas no que farei amanhã e depois. Viverei.

Penso na tristeza daquele que não se sabem e vagam pela vida pulando em busca da resposta. Os que não têm nem o prazer de conduzir as próprias escolhas, vivem pelo respirar simples. Que não sabem o que é ser-se para si com felicidade ao invés de atender aos caprichos de outros.

O amor por viver é algo lindo, porque mesmo quando cansa de ser-se ele se transforma, mas sem deixar de ser amor. E quem eu seria sem os pedaços que me faltam? A vida me explode, por mais serena que eu esteja. Ninguém sabe o que se passa no meu coração.