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Mostrando postagens de Maio, 2009
[30 de maio de 2009]

Devo marcar esse dia com algo extremamente diferente que me aconteceu. Estava eu deprimida numa fria tarde curitibana quando decidi visitar a biblioteca. Sabe como é, tenho uma ligação forte com os livros, algo meio carnal, eu diria e o fato de não ir a tal biblioteca há muito tempo me fazia ter certa necessidade em encontrar os ditos livros. E lá fui.

Além de triste eu estava dormente, fazendo dessa uma expriência estranha. Caminhei por entre as partileiras cheias de livros tão queridos, corredores já tão conhecidos. Escolhi algumas obras e fui sentar-me para ler. Peguei Alice Ruiz, o único livro dela que havia: Navalhanaliga. Li e fiquei revirando aquele amontoado de palavras por um tempo, coloquei o livro na mesa e fui embora.

Devo ressaltar que enquanto escrevo isso ainda não acredito que realmente tenha acontecido. Logo que cheguei em casa adormeci. Quando minha mãe me viu não comentou se me ouviu saindo - ela estava dormindo quando saí e quando voltei, mas tem…
[29 de maio de 2009]

Me olho no espelho e não sei porque respiro, porque existo. Sempre que acredito estar no caminho certo, me esforçando para que as coisas aconteça, cometo um erro grave e alguém sai magoado. Caio nesse ciclo maldito, sempre.

(Um desabafo aparentemente infantil, mas extremamente necessário)

(en)cerração

[22 de maio de 2009]

cerra
cerra
cerra
ção

encerra
e cerra
minha
visão

língua
olfato
palato
expressão

luzes
desfoque
estrela
no chão

suspiro
espirro
na mente
um clarão

mareja
os olhos
da rosa
o botão

ruelas
vermelhas
de sonhos
se vão

me calo
não falo
nem q' sim
nem q' não

caminho
sozinho
não sei
onde'stão

tranca
no tranco
do meu
coração

P.S.: É uma poesia bem bobinha, com um ritmo marcadinho, praticamente um exercício que me propus a fazer ao invés de escrever (mais uma vez, aliás) sobre a cerração noturna, que eu adoro.
[17 de março de 2009]

Meus olhos nos olhos dela, eu só esperava uma resposta. Depois de um tempo de contemplação ela diz que não se lembra do meu nome e sorri, como se num gracejo. Logo volta seu rosto para outro lado e eu fico lá a esperar um resto de resposta, algo que viesse confirmar minha suspeita de que não passava de uma pequena brincadeira para me confundir. Mas nada disso aconteceu e nossas vidas prosseguiram normalmente.

Num dia qualquer eu poderia contar o meu nome a ela, mesmo que me respondesse que já o sabia. Mais umas palavras trocadas e nos separaríamos imediatamente. Talvez eu tivesse a coragem de falar-lhe todos os dias e dessa maneira começaria a criar laços de afeto entre nós. Chegaria então o belo dia em que só nos olhando saberíamos o que dizer um ao outro sem palavras e seríamos felizes.

Preferia pensar que ela gostaria que eu falasse com ela diariamente e me escondia bem longe assim que surgia uma mínima chance de nos aproximarmos. Voltava só quando tinha a certe…

Ai no Poltergeist

[14 de maio de 2009]

Uma grande lua cheia e dourada iluminava o céu no momento em que recebi aquele telefonema. Mal sabia o que responder quando o desconfortável silêncio obrigou a pessoa do outro lado da linha a desculpar-se profundamente por ter anunciado a notícia. Lembro-me que passei alguns longos minutos com o corpo vazio, tive a impressão de que a lua se aproximava dos meus olhos com certa velocidade até que me deixei cair no chão.

Nosso namoro durara pouco, muito pouco, mas sabíamos que o sentimento sempre esteve lá, escondido em algum lugar distante. Não houve tempo para os primeiros planos, nem para conhecer todos os membros da família. Vivemos apenas os primeiros passos de algo que viria a se transformar em amor, apenas as tímidas descobertas e a calor dos primeiros carinhos trocados. O desejo infantil de ter o outro ao lado para sempre, sempre...

Fomos namorados por dois meses e seis dias, exatamente. Já fiz e refiz tal conta tantas vezes que seria impossível errar numa hora …