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[17 de março de 2009]

Meus olhos nos olhos dela, eu só esperava uma resposta. Depois de um tempo de contemplação ela diz que não se lembra do meu nome e sorri, como se num gracejo. Logo volta seu rosto para outro lado e eu fico lá a esperar um resto de resposta, algo que viesse confirmar minha suspeita de que não passava de uma pequena brincadeira para me confundir. Mas nada disso aconteceu e nossas vidas prosseguiram normalmente.

Num dia qualquer eu poderia contar o meu nome a ela, mesmo que me respondesse que já o sabia. Mais umas palavras trocadas e nos separaríamos imediatamente. Talvez eu tivesse a coragem de falar-lhe todos os dias e dessa maneira começaria a criar laços de afeto entre nós. Chegaria então o belo dia em que só nos olhando saberíamos o que dizer um ao outro sem palavras e seríamos felizes.

Preferia pensar que ela gostaria que eu falasse com ela diariamente e me escondia bem longe assim que surgia uma mínima chance de nos aproximarmos. Voltava só quando tinha a certeza de que não seria possível qualquer tipo de aproximação.

Às vezes eu sentia seus olhos plantados nas minhas costas como se buscando qualquer tipo de comunicação. Nessas horas até pensava em conversar com ela, perguntar se ela realmente não sabia meu nome. Mas a vontade fugia de mim, ou melhor, era eu quem fugia da vontade.

Não havia temores nem sentimentos, apenas relâmpagos que eram a curiosidade que iluminava minha mente por miléssimos de segundo e fim. Tudo voltava ao normal, nada acontecia nem deixava de acontecer. Tudo no meu mundo era uma mera ponta de curiosidade em descobrir se aquela moça sorridente sabia ou não meu nome.

Notei então que sonhava alto, minha boca estava entreaberta, prestes a falar por si própria. A moça estava com os olhos nos meus em busca de uma resposta. Depois de algum tempo notei que eu não sabia qual era a pergunta e consegui calar meus pensamentos. Concentrei-me em seu olhar e pedi mentalmente que ela o lesse. Não deu certo. Enquanto ela desviava o olhar mais uma vez eu não tive forças para contar-lhe todas as coisas que sonhei para nós.

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