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Mostrando postagens de Junho, 2009
[25 de junho de 2009]

Guardava severamente aqueles momentos para si. Eram de uma felicidade de vapor quente que ficava acima de sua cabeça, felicidade miásmica. Olhou a noite, a mais bela das noites e decidiu que era tempo de viver. E viveu. Sentiu-se tão próxima de si mesma que percebeu uma cumplicidade muda brotar-lhe no peito, daquelas que só temos com aqueles que muito bem conhecemos.

No espelho havia seu rosto. Olhar-se nos olhos era sempre uma tarefa complicada, porque mesmo quando uma pessoa vê seu reflexo seleciona o que quer enxergar. Dessa vez decidiu ver seus próprios olhos. Só assim conseguira chegar a conclusão de que não poderia mentir para si mesma, até porque mentir não era o seu forte. As verdades todas pairavam em seus olhos e ela não poderia evitar tal fato.

Percebeu o brilho no castanho, já não conseguia disfarçar a felicidade e provavelmente não seria capaz de mascarar a tristeza quando a sentisse. Olhava-se e recontava toda a alegria do mundo para si, agora em segre…
[18 de junho de 2009]

Ele era um mistério. Um silêncio difícil de alcançar. Aparentava ser sucinto, mas aos poucos percebia-se que era cheio de reticências. Era daqueles calados cheios de coisa pra dizer mas que por enquanto apenas viviam para escutar. No momento em que ele abrir a boca pra falar, que ele finalmente pronunciar suas primeiras palavras... O tempo se quebrará.

Playing For Change

Dispensa grandes comentários. Basta dizer que a iniciativa de reunir músicos do mundo inteiro para, através da linguagem universal da música, promover a paz é no mínimo emocionante. O resto você ouve e sente.

Cara Clarice

Aquela coisa que ele estava sentindo devia ser, em última análise, apenas ele mesmo. O que teve o gosto que a língua tem na própria boca. E tal falta de nome como falta de nome ao gosto que a língua tem na boca. Não era, pois, nada mais que isso. (Clarice Lispector, A Maçã no Escuro)Acenderam a luz e eu despertei. Abri os olhos sem querer, o cobertor no meu rosto. Ouvi o leve raspar dos meus cílios no tecido e repeti o movimento inúmeras vezes. A luz era rosa e eu me negava a viver, queria continuar ali no sonho, na sensação apenas.

Acordar verdadeiramente é um desafio ainda maior quando se está gripado. Quando fico doente sinto uma tristeza diferente de todas: a de reconhecer que estou fraca. Meus pensamentos se perdem e durmo tanto que até sinto culpa. Sou-me incapaz de fazer tudo como outrora.

Meias de lã. Sinto como se andasse em nuvens. A cada passo concluo ainda melhor que já não consigo mais pensar direito. Às vezes me pego andando em círculos, em busca de um centro. Não tenho di…

Laranjinha Água da Serra

Estou viciada em Laranjinha Água da Serra - talvez um dos vícios mais poéticos da minha vida. Durante os últimos encontros da Oficina Literária da qual participei sempre tinha uma garrafinha dessas por lá. Não sei se pelo horário, pela fome ou pelo ambiente, mas achei a bebida muito boa. Desde então, sempre que posso compro uma Laranjinha para mim, como se buscasse a fresca lembrança desses bons momentos.

Já comprei outros refrigerantes do Água na Serra, mas nenhum é tão bom quanto a Laranjinha. Essa é, oficialmente, a minha bebida para inspiração, hehe.

Falando nisso, não sei ainda se vou participar de uma nova oficina nesse ano. Aliás, tentar participar de verdade, por mais que às vezes fique meio complicado. Não me importo muito com certificados de presença - ainda mais quando não os mereço - mas gostaria de ver algo diferente por agora. E que não fosse logo no sábado de tarde, que às vezes é ocupado pelo meu trabalho.

(I)maturitade Intelectual

Sei bem que não posso voltar no tempo, mas que, por outro lado, nunca é tarde para começar. Além de escrever, tenho pensado bastante no jornalismo. Posso dizer que me transformei em outra pessoa enquanto estudava isso, então não é tão simples assim desligar-me dessa espécie de raiz que criei com a profissão.

Terminei o curso dizendo que odiava tudo aquilo. Sabe como é, ódio demais é amor reprimido. Vivia num ambiente hostil, meu sonho momentâneo era livrar-me daquele mundo. Achei, por muito tempo, que isso bastaria. E não bastou. Sinto falta de um pedaço de mim, um pedaço que ainda acreditava naquilo.

Um amigo meu, também jornalista, resumiu bem o que sinto: "você gosta da função social do jornalismo mas não gosta de como é a profissão". Quando ele disse isso foi como se uma porta se abrisse na minha mente, foi mágico. No fundo sinto um prazer imenso em saber que as pessoas estão lendo o que escrevo, não importa o que seja.

Desanimei com a profissão ainda na universidade. Nunca…

Maturidade Intelectual

Faz algum tempo já que venho pensando em quem sou como escritora. Com muita facilidade chego a conclusão de que não sou ninguém. Não por pessimismo nem nada, apenas uma constatação realista sobre a minha posição no mundo - isso sob meu olhar, claro.

A minha adolescência foi o momento da descoberta da escritora em mim. Nunca tive acesso aos clássicos, nessa época li coisas bem infanto-juvenis. Eu amava a biblioteca da escola, foi ao entrar lá que decidi pela primeira vez que eu seria escritora. Era como se os livros me chamassem. Uma professora de português me incentivou muito, lia meus textos com muito interesse, sou muito grata a ela. Houve também uma fase de escrever poesias para amigos, a namorada presenteava o namorado e vice-versa, coisas que me deixavam muito feliz.

Foi então que começaram as mudanças. A verdade é que o meu mundo se resumia em casa e na escola até os 17 anos de idade. Só aos 18 eu comecei a conhecer o resto, tudo isso que é Curitiba. E veio o jornalismo, essa cois…
[07 de junho de 2009]

É muito difícil me ser porque me conheço demais, estou inundada de mim mesma. Por isso às vezes desejo me deixar, me desconhecer, me olhar por fora e não por dentro. Ser mais uma pessoa dentre todas as outras pessoas com quem cruzo pelo caminho. Olhar-me e ver o que penso sobre mim mesma sem me conhecer, sem saber onde dói ou o que mais gosto.
[05 de junho de 2009]

Viu a verdade atravessar na sua frente de mãos dadas com o desejo. Ficou congelado assistindo a cena. Não saia do lugar apesar de afastar-se. A única imagem que via era aquela, mesmo já tão longe. Não conseguia sentir nada, era uma casca, um vazio pleno. Poucos instantes antes chegou a acreditar que ela lhe observava com um discreto sorriso nos lábios, e agora isso.

A verdade é perigosa. Nada nela é absoluta, e nem precisa ser. Apesar de estar diante dos olhos dele, o rapaz prefere continuar acreditando no que não vê. Prefere rememorar as conversas soltas durante a tarde, os sonhos partilhados, as pequenas confissões juntos. Quando se afastam, se desconhecem e esquecem, são miragem um para o outro. São o pedaço de ilusão que carregam em suas próprias existências, como se nada tivesse acontecido. Procurava continuar idiotamente feliz mesmo diante da dura verdade.

Sabia que o casal estava preso numa bolha de ilusão em sua mente, mas mesmo assim não deixava de acredit…
[04 de maio de 2009]

Estava vendo a minha "rede de amigos" no Orkut. É algo realmente interessante reunir num só espaço - mesmo que virtual - as pessoas com as quais você já teve contato. Não apenas para saber quem tem mais amigos, a questão é outra: é que as pessoas somem das nossas vidas.

Um pouco além de simplesmente bisbilhotar a vida alheia - e confesso que gosto de fazer isso de vez em quando - as pessoas somem de nossas vidas a tal ponto de se tornarem meras miragens em nossas mentes. Quando de reprente você se depara com uma lista de pessoas com as quais já teve algum tipo de contato, é como se suas memórias fossem cutucadas e algo vazasse.

As coisas que queríamos esquecer continuam lá, elas existiram, não foram ilusões. Vivemos tanto e tão pouco que fica difícil avaliar exatamente do que sentir saudades. Hoje estou aqui, usando meu tempo nessas palavras que sei lá quem lerá, amanhã falarei com sei lá quantas pessoas e assim tudo continuará igual. Quando eu der conta a…

O Minotauro - Valêncio Xavier

Pois é, eu li. E de agora em diante tentarei escrever algumas linhas do que ando lendo, um novo exercício. Nada de dizer verdades sobre uma obra, muito menos de ficar interpretando cada linha. Apenas um breve comentário para ativar minha mente.

Confesso que a princípio não gostei muito, não é o tipo de história que me encantará pela vida toda. No entanto, fiquei com aquela pulga atrás da orelha depois dessa leitura tão imediata. Foi tão rápido que nem deu tempo em de pensar em nada!

O enredo é o seguinte: um homem leva uma prostituta para um hotelzinho qualquer, transa com ela e ambos adormecem. Como ele teria que pagá-la ao acordar, decide fugir do lugar antes que ela acorde. O problema é que o hotel estava completamente escuro e não havia nada para iluminar o ambiente. Logo ele se perde por entre os corredores do prédio, criando assim uma tensão que não se desfaz nem no término da história.

A narrativa é intercalada por flashs de conversas e dados de alguns acontecimentos. Entre eles …
[03 de junho de 2009]

Só de pensar me corre um frio na espinha. Não só porque está realmente frio, mas também porque penso. Escondo todos os meus defeitos debaixo da roupa, mas quem me despir terá que aceitá-los. Vivo dessas coincidências, desses por acaso mal feitos no meu caminho. Não sei bem o que fazer com tudo isso, então continuo vivendo, não em busca de uma resposta, apenas aproeitando o vento que me sopra.