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[05 de junho de 2009]

Viu a verdade atravessar na sua frente de mãos dadas com o desejo. Ficou congelado assistindo a cena. Não saia do lugar apesar de afastar-se. A única imagem que via era aquela, mesmo já tão longe. Não conseguia sentir nada, era uma casca, um vazio pleno. Poucos instantes antes chegou a acreditar que ela lhe observava com um discreto sorriso nos lábios, e agora isso.

A verdade é perigosa. Nada nela é absoluta, e nem precisa ser. Apesar de estar diante dos olhos dele, o rapaz prefere continuar acreditando no que não vê. Prefere rememorar as conversas soltas durante a tarde, os sonhos partilhados, as pequenas confissões juntos. Quando se afastam, se desconhecem e esquecem, são miragem um para o outro. São o pedaço de ilusão que carregam em suas próprias existências, como se nada tivesse acontecido. Procurava continuar idiotamente feliz mesmo diante da dura verdade.

Sabia que o casal estava preso numa bolha de ilusão em sua mente, mas mesmo assim não deixava de acreditar. Escolhera aquele mundo para viver, então o fruiria até o fim. A realidade não estava pronta, era possível escolher os elementos que queria utilizar para compor sua vida. E assim fizera. Mesmo sabendo que quem segurava a mão da moça era a verdade.

Comentários

Marilia Kubota disse…
Ah, ah, sobre a felicidade de autografar um livro. Pois é, nem lembro para quem era. Os livros praticamente dançaram nas nossas mãos, tantos eram os autores. Mas eu juro, havia sim, público.
Um comentário antigo: preciso de um livro meu ? Tem lá o Selva de Sentidos, preciso dar pra vc. Qdo a gente se vir de novo.
Mais tarde respondo a mensagem de teu texto longo. beijo
prefiro não me identificar com este texto, embora eu não possa deixar de me identificar com este texto...

obgdo pelo comentário sobre a pintura, poucas pessoas enxergam além dos borrões...