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[25 de junho de 2009]

Guardava severamente aqueles momentos para si. Eram de uma felicidade de vapor quente que ficava acima de sua cabeça, felicidade miásmica. Olhou a noite, a mais bela das noites e decidiu que era tempo de viver. E viveu. Sentiu-se tão próxima de si mesma que percebeu uma cumplicidade muda brotar-lhe no peito, daquelas que só temos com aqueles que muito bem conhecemos.

No espelho havia seu rosto. Olhar-se nos olhos era sempre uma tarefa complicada, porque mesmo quando uma pessoa vê seu reflexo seleciona o que quer enxergar. Dessa vez decidiu ver seus próprios olhos. Só assim conseguira chegar a conclusão de que não poderia mentir para si mesma, até porque mentir não era o seu forte. As verdades todas pairavam em seus olhos e ela não poderia evitar tal fato.

Percebeu o brilho no castanho, já não conseguia disfarçar a felicidade e provavelmente não seria capaz de mascarar a tristeza quando a sentisse. Olhava-se e recontava toda a alegria do mundo para si, agora em segredo. Havia ali toda a vastidão das palavras soltas no silêncio da confissão. Sorriu e reconheceu-se por completo, enfim.

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