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(I)maturitade Intelectual

Sei bem que não posso voltar no tempo, mas que, por outro lado, nunca é tarde para começar. Além de escrever, tenho pensado bastante no jornalismo. Posso dizer que me transformei em outra pessoa enquanto estudava isso, então não é tão simples assim desligar-me dessa espécie de raiz que criei com a profissão.

Terminei o curso dizendo que odiava tudo aquilo. Sabe como é, ódio demais é amor reprimido. Vivia num ambiente hostil, meu sonho momentâneo era livrar-me daquele mundo. Achei, por muito tempo, que isso bastaria. E não bastou. Sinto falta de um pedaço de mim, um pedaço que ainda acreditava naquilo.

Um amigo meu, também jornalista, resumiu bem o que sinto: "você gosta da função social do jornalismo mas não gosta de como é a profissão". Quando ele disse isso foi como se uma porta se abrisse na minha mente, foi mágico. No fundo sinto um prazer imenso em saber que as pessoas estão lendo o que escrevo, não importa o que seja.

Desanimei com a profissão ainda na universidade. Nunca procurei um estágio, nunca tive uma experiência propriamente dita. Fiz o jornalizinho do Colégio, adorava aquilo. Sabia que as pessoas liam, eu vivi um momento de grande satisfação com o MadaLê.

Hoje tenho o Tadaima. Mais uma vez algo feito por conta, livre de qualquer coisa. Eu escrevo e sou lida, recebo diariamente a satisfação de ser ouvida. No entanto nunca tentei algo de verdade e isso está começando a me incomodar. E nesse sentido eu deveria ter usado a época da faculdade para tentar mas não o fiz.

Tem um outro amigo meu que começou a estudar jornalismo na PUCPR no ano passado. Logo no primeiro semestre ele declarou odiar aquele lugar, mas nem por isso desistiu de cara. Não desistiu só porque alguém disse pra ele que "fazer estágio é desanimador" e ficou só sonhando com outras opções.

Além do mais devo confessar que me incomoda um pouco o fato do meu pai ter bancado um curso numa universidade particular para depois eu desistir assim. Alguma coisa tenho que fazer. No final das contas eu pulei alguns pedaços do caminho por simplesmente me achar incapaz de passar por eles.

Muitos me diziam "você é jornalista, é a sua cara". Com o tempo quis me livrar dessa espécie de "título", mas nunca deu certo. As pessoas continuam me chamando de jornalista, ainda mais quando sabem que essa é minha formação. Pensando agora, será que eu não sou mesmo, afinal, jornalista?

Comentários

sim! a profa vera é muito querida, e até hj tenho dor de cotovelo de não ter sido aluno dela hehehe

ih, não esquente com isso tanto... eu tb. mudei de caminho no "meio" do caminho, sofri, precisamos continuar.

vc ainda nem começou! eu acho que vai conseguir conciliar o jornalismo na tua vida, digo, é bom que vc não estivesse naquele "gado" da faculdade que acha que a vida tem um ritmo marcado e linear. esta tua angústia é o preço das tuas escolhas e da construção do teu caminho...

como diria o r. alves "ostra feliz não faz pérola". boa sorte!