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Maturidade Intelectual

Faz algum tempo já que venho pensando em quem sou como escritora. Com muita facilidade chego a conclusão de que não sou ninguém. Não por pessimismo nem nada, apenas uma constatação realista sobre a minha posição no mundo - isso sob meu olhar, claro.

A minha adolescência foi o momento da descoberta da escritora em mim. Nunca tive acesso aos clássicos, nessa época li coisas bem infanto-juvenis. Eu amava a biblioteca da escola, foi ao entrar lá que decidi pela primeira vez que eu seria escritora. Era como se os livros me chamassem. Uma professora de português me incentivou muito, lia meus textos com muito interesse, sou muito grata a ela. Houve também uma fase de escrever poesias para amigos, a namorada presenteava o namorado e vice-versa, coisas que me deixavam muito feliz.

Foi então que começaram as mudanças. A verdade é que o meu mundo se resumia em casa e na escola até os 17 anos de idade. Só aos 18 eu comecei a conhecer o resto, tudo isso que é Curitiba. E veio o jornalismo, essa coisa estranha que não era o mesmo que escrever. Eu tinha a doce ilusão, no início, de que pelo menos alguns dos meus coleguinhas seriam escritores também e eu poderia compartilhar meus textos com eles.

Cheguei na faculdade tão crua de mundo que talvez tivesse sido melhor esperar um pouco mais. Só que não foi assim e não é pensando em como teria sido que vou mudar as coisas. O importante é que aos poucos fui desencantando tanto, mas tanto com o jornalismo que no final eu estava me deixando de lado também. Já que não tinha para quem mostrar o que eu escrevia, fui deixando de escrever e me dediquei a outras coisas.

Olhando para esse passado percebo que deixei muita coisa passar, muita coisa que eu queria ter feito e não fiz. Pensando agora, não sei dizer o que me levou a ficar parada num lugar onde não queria estar. Digamos que eu não conseguisse sair da PUCPR, mas que ao menos fosse buscar algo diferente!

Claro que eu estava preocupada com outras coisas e que a vida é feita de escolhas e bla bla bla. No entanto, ainda acho que não deveria ter parado dessa maneira. E só vejo isso com tal clareza porque agora estou muito mais feliz estudando Letras Japonês na UFPR. Devo confessar que a primeira vez que fui a Reitoria, em 2004, já sabia que estudaria lá um dia. Dito e feito.

Outro grande motivo por eu ter parado foi o medo. Sabe, quando de repente você é jogado no mundo sem aviso prévio de como ele é, acaba se forçando a descobrir como a coisa toda funciona. Tive que aprender a me virar sozinha - pelo menos no que diz respeito a administrar uma casa e a própria vida. Me vi diante de gente tão grande e eu tão pequenininha que tive medo de mostrar o que eu fazia pro mundo. E parei.

Com o tempo notei que estava em busca de uma Maturidade Intelectual, tanto que passei por várias mudanças de gostos até "acertar na mão". Olhar pra isso agora me faz pensar em falso erudismo, a coisa que eu mais abomino. Quando será que "terei idade suficiente" para escrever sobre literatura, por exemplo? Sei lá, se eu nunca tentar, nunca saberei.

Por isso um post tão pessoal assim. Não terei mais medo de escrever minhas pequenas besteiras e pensamentos. É também por isso que procuro postar mais aqui também.

Comentários

adorei o post. estou quaase indo para as letras, vamos ver o que o "destino" me reserva.

ei, a profa. era a suzete, não era?? só pode ter sido ela!!
Marilia Kubota disse…
Ah, ah, ah. Para escrever a grande ou pequena obra nunca será tarde. Mas em literatura quando mais tarde, melhor, parece. Quem disse, "envelheçam, jovens"? O Millôr diria que foi um chato. :)

beijo
Ton-Kun disse…
Eu lembro dessa fase de escritora. A gente pára agora e vê que faz tempo. Mas, se até mesmo atores um dia voltam ao teatro saídos da tevê, porque não voltar à escrever. E a maioria dos escritores começa assim, escrevendo para si em um quartinho da casa. Só tem que deixar seus escritos saírem algum dia...