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O Minotauro - Valêncio Xavier

Pois é, eu li. E de agora em diante tentarei escrever algumas linhas do que ando lendo, um novo exercício. Nada de dizer verdades sobre uma obra, muito menos de ficar interpretando cada linha. Apenas um breve comentário para ativar minha mente.

Confesso que a princípio não gostei muito, não é o tipo de história que me encantará pela vida toda. No entanto, fiquei com aquela pulga atrás da orelha depois dessa leitura tão imediata. Foi tão rápido que nem deu tempo em de pensar em nada!

O enredo é o seguinte: um homem leva uma prostituta para um hotelzinho qualquer, transa com ela e ambos adormecem. Como ele teria que pagá-la ao acordar, decide fugir do lugar antes que ela acorde. O problema é que o hotel estava completamente escuro e não havia nada para iluminar o ambiente. Logo ele se perde por entre os corredores do prédio, criando assim uma tensão que não se desfaz nem no término da história.

A narrativa é intercalada por flashs de conversas e dados de alguns acontecimentos. Entre eles estão a lenda do Minotauro e a notícia de que uma mulher fora encontrada morta num terreno baldio, já em estado de putrefação. Além disso no topo de cada página há um número que certamente está relacionado com o que está escrito ali, mas que nem sempre é fácil realizar a associação.

O que temos no final é um mistério não resolvido, uma coisa que te deixa... Atraído demais por aquilo, mesmo que não tenha gostado. É extremamente interessante essa sensação de atração mesmo com aversão. No fundo quem lê vai obrigatoriamente buscar por uma resposta. Uma resposta que nunca será exata.

Vou arriscar uma coisa aqui, mas talvez eu esteja errada: já que Valêncio Xavier gostava tanto do Japão - e das japonesas, hehe - será que esse mistério tão marcado não seria uma influência nipônica? É algo bem comum na literatura japonesa deixar muitos "espaços" para que o leitor tire suas próprias conclusões, ao contrário de nós, que no fundo tentamos criar enigmas explicáveis, de certa forma - claro, dadas as devidas exceções.

O que eu quero dizer é que uma coisa é você nunca saber se a Capitu traiu ou não o Bentinho e outra bem diferente é terminar de ler um livro e se perguntar o que exatamente aconteceu ali. Sâo os elementos místicos do enredo que nos confundem e encantam ao mesmo tempo, fazendo da leitura uma apreciação ao invés de ser uma busca infinita de explicações.

E sim, é muito mais fácil buscar explicações do que simplesmente apreciar.

P.S.: Se isso foi um "breve comentário" imagine se fosse uma resenha!

Comentários

fiquei com vontade de ler!!!
Marilia Kubota disse…
Isto faz parte dos mistérios de Valêncio. Diz pra Yurie que Valêncio merece uma cadeira cativa no evento de tributo ao Seto, por ser grande divulgador da cultura japonesa. beijão