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Descompromissadamente

O fato é o seguinte: eu não consigo me matar. Por favor, não me entenda mal, eu apenas não consigo me largar de mim mesma. Há algo incrível que chamo de inquietação e isso faz com que eu me canse fácil de tudo e queira mudar a todo instante. O problema é que também não quero mudar para sempre, quero só mudar por uns instantes e depois desejo voltar ao início e vivo assim um ciclo interminável de quereres nunca realizados ao todo. Como tudo na vida, tem um lado bom e outro ruim.

É ótimo passar uns dias sem compromisso com nada, apenas consigo mesma. Passo do estágio de dúvidas para as certezas depois de três dias me alimentando de entretenimento barato. Depois da ativação prévia, minha mente fica pronta para imaginar e receber informações um pouco mais questionadoras, eu diria.

Sabe, muitas pessoas que se dizem "intelectuais" cometem o belo erro de fugir da TV, rádio, Internet ou tudo mais que é visto como cultura de massa. Na minha opinião tudo é aproveitável - na pior das hipóteses você descobrirá que não gosta mesmo do que acabou de ver/ouvir/receber. A maneira como você aceitará ou não a informação depende de uma predisposição, aquela velha história de que o livro será diferente quando lido pela mesma pessoa em diferentes idades.

Eu adoro novelas, seriados, jogos de videogame... E adoro literatura, poesia, pesquisa, música clássica. A opção por um ou por outro depende só da minha vontade, mas um não anula o outro, muito pelo contrário. Acho que vivemos uma ilusão terrível quando próximos da realidade acadêmica, na qual muitas vezes professores te olham torto quando você fala algo fora do contexto intelectual. Antes eu achava mesmo que estava cometendo um crime, porém hoje eu descobri o seguinte:

Consumir o que é pop não emburrece.

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