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A Menina de Uniforme

Tão igual a qualquer uma, estava sentada na escadaria de uma velha casa, uma menina de uniforme. Mala nas costas, rabo de cavalo, livro velho na mão. Brochura dobrada ao meio, lia a página, virava da par para a ímpar num misto de tédio e interesse. Vivia a espera divertida, o bom livro na situação ruim. Fino era, provavel ser infanto-juvenil.

Calça azul e camiseta branca, tantas outras passam mas só ela sentou-se para ler. Já sabia ler, grande era, devia saber sonhar também. Livro amassado, páginas amareladas, talvez meladas de café por alguém. Num mundo qualquer, talvez um amor platânico, infantil e proibido. Talvez correndo atrás de um coelho e dando de cara com um chapeleiro maluco.

A vida longe da sombra fresca era um mistério, mal se sabia andar fora dali. Enquanto lia, tão igual era única e bela como uma fruta nova, como um livro que se dá sem vergonha. Era ela sim, fora do seu corpo, inteira.

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