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Mostrando postagens de Março, 2011

Indefinível praia

Não sei maresia, não sei areia, não sei mar, não sei sal na pele, não sei suor salgado, não sei nadar, não sei conchinhas, não sei ondas, não sei buracos, não sei beira-mar, não sei biquini, não sei cabelos secos e molhados, não sei praia.

Sei que tive medo de ser levada pelo mar quando tinha sete anos.

Vejo uma foto na qual eu estou entre meus pais, feliz da vida com meu biquini azul e vermelho de criança.

[11 de fevereiro de 2011]

Meu sonho está delicadamente ganhando forma. Ouso dizer que hoje, depois de anos grávida, começo a pari-lo. Estou me remexendo por completo, sei que vou cnasar mas preciso juntar esses pedaços de vida que cultivei durante os anos. Do mundo já não tenho mais medo, ouso dizer que finalmente decidi fazer o que há tempos eu deveria ter feito: abraçar-me longamente.

[10 de março de 2011]

Do desejo faço vida
E da vida tenho medo
Meu peito se rasga
Eu não sou eu
Apenas estou eu agora
Minhas retas tortas
Curvas bifurcadas
Vida vida uma piada
Se alguns planejam
Eu apenas sonho
Sonho na constante da dúvida
De nunca acontecer
Nada é certo
Nem mesmo a incerteza
Meu destino não foi traçado
É um velho descontrolado
Cego, surdo e mudo
Que me guia
Sem direção

Pó Azia

Escrevou porque
Sou egoísta
Estou longe
De ser artista
Desenho letrinhas
Por diversão
Meu negócio mesmo
É fruição
Grande merda
A poesia
A arte é linda
E vazia
Não quero mudar
O mundo
Nem regenerar
Um vagabundo
Escrevo porque
Com sorte
Quem sabe eu vença
A morte
Depois de morta
E enterrada
De mim não sobre
Nada nada
Umas palavras no papel
De bolor
Causem algum tipo
De furor
Talvez encontrem
Uma escritora
De muitas mentiras
Uma inventora