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[28 de abril de 2011]

Até pouco antes de entrar para o meu primeiro curso na faculdade, eu não faltava a nenhuma aula. Minha vida se resumia a casa e escola, nada além disso. Parece triste se você pensar que hoje na adolescência as pessoas parecem tão livres e donas de si, com opinião própria, gostos, manias - uns pequenos grandes. Eu mesma não sei definir a idade das pessoas, porque quando eu tinha a idade deles eu era bem diferente. Era uma adolescente reclusa - bem mais reclusa que hoje em dia - e sair não me fazia tanta falta assim porque, afinal, eu não conhecia nenhuma vida diferente da que eu vivia.

Odeio ficar doente, acho que uma das piores coisas de estar vivo é ficar doente. Sempre que ficava doente na escola e tinha que faltar às aulas, me fazia a seguinte pergunta: será que alguém vai sentir a minha falta? Logo eu, tão caxias, sempre ali, será que alguém vai notar? Nunca soube a resposta.

Já na universidade a preguiça do mundo começou a me tomar. Já estou bem longe do questionamento primeiro, do meu desejo de ser querida. Passei por muitas situações que me ensinaram que o que vale não é o amor que alguém sente por você, mas sim o amor que você sente pelos outros. Hoje penso, diariamente, sobre o quanto sinto falta das pessoas. O quanto eu as amo e tento expressar isso a todo instante, como um mantra interno, algo que só eu sei que existe. Aqueles momentos banais, como uma besteira qualquer dita e seguida de risadas gostosas, comprar pastéis para comer no meio da aula de literatura clássica japonesa, as coisas felizes com voz de criança que converso com minha mãe, o carinho no cachorro que me olha e se estica aos meus pés...

Não tenho medo de ficar sozinha, de enfrentar as situações por conta própria. Acredito mesmo é que todo o ser humano precisa se encarar verdadeiramente, com suas forças e fraquezas, se olhar todos os dias com seriedade e se reconhecer no mundo, no próprio mundo.

Hoje sei que o que eu buscava não era ser amada, mas sim amar profundamente e viver os detalhes dia após dia, fazendo com que minha rotina fosse sempre o diferente. Encarar tudo como efêmero mas que continua mesmo assim, com a estranha sensação de uma finitude infinita.

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