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Mostrando postagens de Maio, 2011

Desconstrutiva

Já me cansei da vida regradaDe todas as coisas em seu devido lugar De um mundo certo e certeiro Das utilidades das gavetas De pessoas que são números em pastas Estou farta de tudo que é perfeito Do cheiroso e bem vestido homem Sempre cheio de amor e dinheiro Sorridente lindo loiro alto olhos azuis E que ainda sabe muito bem como agradar uma mulher É advogado e que casar ter filhos Serei sua escrava para separar suas gravatas por cor Ah, tenho sono só de pensar
A minha vida é o abismo da bagunça Dos papéis perfumados e cheios de lembranças Da valorização dos detalhes A desorganização nada construtiva Um mar de muito de tudo De todo samba que eu possa cantar Porque eu quero a vida de um bêbado Que anda torto pelas ruas um pobre Um cara sem nada com o que se preocupar Sem papéis para organizar O artista que vive de cachaça e respirar Me cansam as regras então me deixe bagunçar Me permita existir sem padrão de nada Não me obrigue mudar porque só terá meu ódio Porque quando eu mudar já estarei morta de mim

A Curitiba que se esconde em Curitiba

Todo artista que mora em Curitiba deve viver em conflito: sabemos que aqui estão artistas muito bons mas que não querem estar aqui, exatamente. "Tão perto mas tão longe de São Paulo..." É como se São Paulo fosse a porta para o resto do mundo, a exposição máxima, o reconhecimento maior. Bem, isso não existe, ainda mais nos dias de hoje. Ser artista atualemente, ser reconhecido, ter fama, não garante que sua fama seja eterna, muito pelo contrário. A possibilidade de ser esquecido é muito maior do que a de ser lembrado. São inúmeros os famosos de momento, os gênios da última hora. As vantagens e as desvantagens da era da informação.

Aqui em Curitiba temos artistas muito bons, conheço vários, muita gente criativa que cruza as ruas dessa cidade já não tão pacata assim. Só em Curitiba poderia existir Dalton Trevisan, Leminski, Oil Man, entre outros. O verdadeiro artista independe da fama midiática, ele precisa apenas sobreviver a si mesmo. Ter boas sacadas e não necessariamente id…

[23 de maio de 2011]

Hoje nem meu corpo e nem minha mente funcionam direito. Depois de dez dias de um desgaste quase no limite da minha capacidade, o que será que sobra? Para mim sobra apenas a confirmação de algo que eu já sabia muito bem: não adianta se matar por algo material. O fato é que todos precisamos trabalhar, mas antes de trabalhar é necessário saber o quanto estamos dispostos a abrir mão para então escolhermos a nossa profissão. Acho muito ruim quando as pessoas dizem “tudo o que eu queria era ficar dormindo o dia inteiro”. Eu não quero ficar dormindo o dia inteiro, 365 dias por ano, mas não estou disposta a trabalhar para alguém com quem eu não concorde só para ganhar dinheiro. Eu quero ser livre para criar, para imaginar, para resolver problemas diferentes e transformar meus dias em dias novos sempre ao invés de ter horário para tudo e a ilusão de segurança financeira. Eu gosto da insegurança, da aparente falta de compromisso, da possibilidade de conhecer pessoas novas e inteligentes, das pe…

Para um futuro próximo

Estou aqui na Feiarte espantando moscas e pensei que só me restava transformar o tédio em poesia. Olhando as pessoas a minha volta – não os amigos, mas os desconhecidos – comecei a pensar se é isso mesmo que quero para mim durante os anos. Cheguei a conclusão que não, que não quero passar não sei quanto tempo em feiras, faça frio ou calor, implorando com o olhar que alguém compre alguma coisa. Olhares curiosos tentando saber do que se trata o produto e passando para o próximo. Eu também faço isso em feiras, todos fazemos. Não estou falando aqui de humanização de vendedores, estou apenas fazendo uma análise pessoal da minha visão de dentro da barraca.

Demorei muito para admitir isso, mas hoje sei que quero viver de escrever. Quero ser escritora, mas não só publicar um livro para sanar uma vontade. Quero escrever para mexer com as pessoas, principalmente comigo mesma. Quero poder, nem que seja de vez em quando, provocar lágrimas nos leitores, transmitir emoções, raivas, polêmicas. Quer…

Homoafetivos e a adoção de crianças

Hoje ouvi alguém falando que até aceita que casais homossexuais tenham todos os direitos de casais heteros, mas que não aceita que eles adotem um filho. A alegação é que a cabeça dessa criança viraria uma bagunça, e principalmente que a convivência dela na escola, por exemplo, não seria das melhores, já que seus coleguinhas o apontariam como a criança que é criada por um casal de pessoas do mesmo sexo.
Bem, de certa maneira ele até tem razão, a sociedade brasileira ainda não está exatamente pronta para aceitar calada uma situação dessas. As crianças - e seus pais - estão cheios de preconceitos e opiniões próprias, além de toda a cultura machista que faz parte do nosso país e história. Concordo também que uma criança adotada por um casal homoafetivo vá passar por vários desafios na vida, terá que enfrentar o mundo, argumentar com as pessoas, etc. Assim como qualquer outra criança.
Por outro lado o procedimento para adoção não é tão simples assim. Além do casal ter que provar que é capaz …