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[23 de maio de 2011]

Hoje nem meu corpo e nem minha mente funcionam direito. Depois de dez dias de um desgaste quase no limite da minha capacidade, o que será que sobra? Para mim sobra apenas a confirmação de algo que eu já sabia muito bem: não adianta se matar por algo material.

O fato é que todos precisamos trabalhar, mas antes de trabalhar é necessário saber o quanto estamos dispostos a abrir mão para então escolhermos a nossa profissão. Acho muito ruim quando as pessoas dizem “tudo o que eu queria era ficar dormindo o dia inteiro”. Eu não quero ficar dormindo o dia inteiro, 365 dias por ano, mas não estou disposta a trabalhar para alguém com quem eu não concorde só para ganhar dinheiro. Eu quero ser livre para criar, para imaginar, para resolver problemas diferentes e transformar meus dias em dias novos sempre ao invés de ter horário para tudo e a ilusão de segurança financeira. Eu gosto da insegurança, da aparente falta de compromisso, da possibilidade de conhecer pessoas novas e inteligentes, das pequenas descobertas que faço enquanto estou trabalhando.

Viver dessa maneira não me impede de pensar no futuro. Penso muito no futuro, no que quero ser, o que quero fazer. Me perguntaram há pouco tempo como eu me vejo daqui dez anos e essa eu sei responder fácil: como uma escritora. Mas agora vem a pergunta: o fato de eu querer ser escritora faz de mim uma escritora? O que faz de mim uma escritora, o saber escrever ou o reconhecimento de o ser?

O médico é médico porque tem diploma. Me chamam de jornalista porque sou formada em jornalismo, mas na verdade eu nunca exerci a profissão. E aí, não temos diploma de escritor por aqui. Quando começo a pensar nisso entro num emaranhado de mim mesma, porque no fundo já sei o que sou agora só falta assumir pra fora. Aos poucos vou.

Esquecemos facilmente nossa essência, a coisa mais preciosa que nos move na vida. “A vida me escolheu”, dizem alguns, mas eu não quero ser escolhida pela vida, quero escolher eu mesma o meu caminho. Não quero ser engolida por um conformismo e, algum dia, olhar para trás e dizer “nossa, eu gostava muito daquela vida de antes, mas agora... a vida me escolheu outro caminho então está tudo bem agora”. Às vezes é inevitável sermos engolidos pelos afazeres diários, mesmo que não haja rotina. Acredito que o importante é ter em mente que estamos trilhando um caminho, que estamos vivendo a nossa vida, uma vida única da maneira como é que e temos que aprender algo com ela diariamente. Não estou condenando ninguém, só acredito que é possível sim fazer algo diferente independente da maneira como você vive e trilhar um caminho longe do conformismo.

É preciso saber qual é o seu sonho, para então trabalhar nele e desejar muito, mas muito mesmo para que dê certo. Acreditar que é possível e continuar trabalhando mesmo que pareça impossível. E quantos sonhos podemos ter? Inúmeros, incontáveis sonhos para dar às nossas vidas um pouco mais de incerteza, porque o seguro não morreu apenas velho mas também entediado.

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