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Amor Sui Generis

As costas encostadas no muro chapiscado, a pressão do momento fazendo com aquelas pontas malditas mais parecessem pregos, uma cama de pregos. Mas valia a pena, tudo pelo passeio das mãos no corpo, os beijos intermináveis naquela noite fria em que dois eram quase um, não havia frio nem dores que atrapalhassem.

Os carros que passavam, já bem esparsos pelo horário, iluminavam a cena como um raio, um flash, a fotografia do canto escuro que parecia, outrora, tão escondido dos olhos do mundo. Mão na mão, mão no braço, mão no ombro, mão no rosto, mãos nos cabelos, mãos rastejando lentamente nas costas, mãos na bunda, mãos já dentro da calça...

Na tentativa de fugir se é enlaçado, obrigado a ficar e continuar a brincadeira. A vontade de erguer a camiseta e arranhar as costas, as pontas do muro furando o corpo, uma dor gostosa e pungente, o frio, aquele maldito frio que não deixa separar.

Um flagra. Uma loucura. Um amor sui generis.

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