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Mostrando postagens de Julho, 2011

[29 de julho de 2011]

Fazer uma corrente do meu eu para ver se encontro algum elo de ligação. Estou me desfazendo aos poucos mas num sentido bom, tentando tirar os acúmulos e cúmulos dos cantos, devolvendo emprestados, finalizando tarefas antigas e lembrando sempre da minha razão para respirar.

Sinto que vou me simplificando mas sem deixar de complicar tudo que me cerca. Me distribuo, me doou num ato egoísta, numa forma de encontro.

Estou feliz, uma felicidade de não pertencer a nada e ser do mundo, desintegrada de coisa alguma.

O próximo dia e um arrepio na espinha: está passando. Num tropeço alguém me lerá e no devaneio queria que ninguém me lesse. Seria fácil se esconder se fosse fácil, mas não é.

Dias enfileirados, um após o outro. Eu preferiria viver os dias uns antes dos outros, com uma prévia do que aconteceria no anterior já que estaria vivendo o próximo.

Alegria mesmo é noite, conforto e reclusão. Seria fácil se não fosse eu.

[26 de julho de 2011]

Dentro da luz rósea me dizia: decidi te amar dentre todo o resto. Eu sentia aquela melancolia da desilusão, um vaso quebrado, eu rosa murcha, mas mesmo assim aceitei o que ouvira. Ele me pegou a mão e com seu jeito sem jeito foi mostrando o outro lado daquilo que eu nunca vira, a simplicidade de respirar e inspirar sem pressa nem ansiedade. Meu coração acelerado e o dele normal, qual o problema? Pensei em perguntar se eu era pouca emoção pra ele, mas aos poucos percebi que enxergava só a casca e na casca não vejo aquela emoção de dentro. Enxergar-se de dentro pra fora é fácil, problema é perceber de fora pra dentro.

Todos sempre clichê, sempre tão cheios de dúvidas e receios mas tão cheios de energia, continuam andando, trabalhando, gastando o que podem e o que não, correndo correndo. Olhando assim parece bem, tudo funcionando, ninguém fala sobre o que dói, só correm. Viver simples um dia após o outro simples viver. Se um dia as pernas param de correr, correr é necessário?

Vamos, esqu…

[21 de julho de 2011]

O velho clichê desponta em minha mente: ninguém é insubstituível. Estando tão próxima de me ausentar daqui e ir para o outro lado do mundo, há sempre a dúvida sobre como todas as atividades que eu desempenho por aqui continuarão acontecendo e, talvez por medida de segurança, eu as esteja deixando de lado já de antemão. O problema é que a sensação de estar sendo substituída não me abandona em momento algum e eu fico com a impressão de que, uma vez de volta, meu lugar não estará vago.

Sou egoísta, ciumenta e possessiva, o que faz de mim uma mulher bomba atômica de reações imprevisíveis. Abandonar a casa assim logo agora que as bases estavam boas a e construção começou é muito arriscado pra mim. Certos dias penso em fugir para então em outro momento me arrepender por ter fugido. Meu corpo vai cansando do jogo e a cabeça roda a todo instante, uma eterna vertigem.

De todas as incertezas o certo é que a minha ausência fará com que eu abra mão do lugar que construí e isso, sem dúvida, me dá …

Eu como Inimigo do Tempo

Medo
O logo tão já
Igual e sempre
Enquanto eu
Inimigo do tempo
Congela-lo quero
Parem os relógios
Desvio a Av das Torres
Sigo lento a Salgado Filho
Freando muito nas lombadas
Indo atrás de caminhões
Adiando a chegada
Adiantando a saída
Um tempo em que tudo penso
E em tudo o tempo me pensa
Me pesa
Não dormir
Nem se mexer
Apenas os dias passando pela janela
Sem prazo de validade
Sem dúvidas sobre logo
Sem a sensação de que algo se esvai
Juventude sonhos dinheiro tempo
Os dias que eram lindos
A coragem de pisar no acelerador
Cuspir chiclete bater porta
A ingenuidade e a confiança no mundo
Do nunca vai acontecer comigo
Ontem mesmo o tempo era meu
O tinha todo e nunca me faltou
Eu que tinha todo o tempo do mundo
Do mundo todo é o meu tempo

[15 de julho de 2011]

Não costumo ver a manhã, amante da madrugada que sou. A luz difusa que se fortalece aos poucos, o cinza que se transforma em azul e amarelo, os pássaros que cantam, brisa fria, cheiros. A vontade de ficar na cama entre o sonho e a realidade, sentir que a vida lhe entra vagarosamente, com silêncio, assim como quando lhe sai aos poucos antes de dormir. Ter tempo para acordar mesmo com sono, não saber se fará frio ou calor já que estou em Curitiba, olhar os primeiros movimentos de si mesmo com preguiça.

A cafeína aciona meu cérebro, meu corpo se amorna e o céu fica mais azul. Os sons aumentam, os carros passam e a sensação de paz vira saudade.

[14 de julho de 2011]

Minha cabeça dói como se estivesse crua e meu corpo pesa. Da caneta e do caderno, da luz e da angústia, só sei que estou entregue. Hoje acordei num desespero e vou dormir envolvida pela minha ilusão de que tudo se resolverá. Sinto-me honesta com o mundo, como se caminhar fosse sentir todos os músculos em movimento, todo o peso do corpo. Caminho não pela liberdade, mas por saber que preciso dar o próximo passo.

Ao efêmero do que se é

[12 de julho de 2011]

Me perguntaram como me vejo daqui dez anos. Apesar da certa vergonha que me veio imediatamente (vergonha do que, afinal?) respondi que me via como escritora. O problema mesmo veio depois, quando pensei no que eu estava fazendo naquele momento para que isso acontecesse. Resposta rápida, fazia nada.

"Eu? Escritora? Estou longe disso, tenho muito o que aprender. Tenho que ler muito, muito mais para chegar aos pés de qualquer coisa que seja parecido com um escritor."

É, mas se eu continuar pensando assim vou morrer seca, então o negócio é o seguinte: eu sou escritora, está decidido. Por mais difícil que seja definir o que faz de um escritor, eu decidi que sou uma. De maneira geral não há um curso, um caminho, um guia, uma prova, nada que diga que a pessoa é ou não é escritor.

Para mim a resposta é muito mais simples: se eu deixo de escrever vou secando, não sonho mais. Escrever tudo, de tudo e para todos, sem limites, sem  preciosismos e, principalmente, se…

Fugindo [10 de julho de 2011]

O realidade não é nada criativa, por isso eu tenho que fugir. Escapar dos meus próprios pensamentos sobre o que tenho que fazer em seguida para criar algo novo, libertar minhas outras idéias. Escrever não é nada além de uma recriação da realidade, um alimento para os sonhos escondidos, as vontades reprimidas.

Quanto mais escrevo, mais me sinto livre. Posso ter preocupações a todo tempo, não importa, desde que eu possa escrever todos os dias. E quanto mais escrevo, mas sinto vontade de jogar-me fora. Juntei tanto que agora só quero arrumar tudo e me livrar do que não me importa mais.

Fujo das buscas alheias, de dinheiro, de bens, de estabilidade, de trabalhar das 8h às 18h, de festas, de shoppings, de lotações, de barulhos, de velocidade, de estresse, de cansaço, de muito ter tanto que não há tempo de aproveitar, de remédios e te tudo mais que dizem que é o certo.

Fugindo sim, mas não para me esconder: quero me mostrar, mostrar o outro lado.

Cabra Cega [06 e 07 de julho de 2011]

Ontem, 20h. Estava terminando o banho quando o vácuo engoliu minha realidade: acabou a luz. O corpo todo molhado, o frio de 5ºC do inverno de Curitiba e o nada. Tudo o que eu queria era me aquecer, me secar, encontrar as peças de roupa. A minha noção de espaço piora ainda mais no escuro, então esticava a mão a todo instante em busca da parede mais próxima e usava o tato para identificar as peças de roupa. No frio a situação corriqueira - sempre acompanhada de um bom aquecedor - tornou-se lenta e cinestésica.

Quando eu era pequena não gostava de ter os olhos vendados. Tinha certa aflição, não conseguia encontrar ninguém quando eu era a cabra cega. Me lembro bem de uma vez em que eu troquei todos os lados do meu próprio quarto enquanto procurava meus amigos, refiz todas as distâncias, a posição dos móveis, a incidência das luzes, tudo. Quando retirei a venda levei um susto porque os conceitos novos estavam tão fixos em minha mente que demorei um pouco até me acostumar com a realidade.

J…

(in)justiça cega [30 de junho de 2011]

É estranha a sensação de ter recém descoberto uma injustiça. Um misto de revolta com mãos atadas, de raiva e conformismo. Pior é não saber quem foi, por onde começou, o que causou, como se viesse do nada e fosse para lugar algum.

Isso não é coisa que se resolve naturalmente ou que se deixa passar, mas é preciso calma e amor agora. União.

Confiança e ética são palavras que não existem para certas pessoas.

Minha fobia de seguir em frente

Desde o instante que eu descobri que iria viajar para o outro lado do mundo por seis meses, nem meu coração e nem meu corpo são mais os mesmos. Sinto dores, palpitações, alegrias e tristezas extremas - opa, isso é meio normal para mim, sou meio instável - enfim, vivo entupida de emoções. Quando fui tentar algo novo por aqui mesmo, não foi diferente.

Eu não dirijo em estradas, tenho terror de viajar por conta própria, prefiro que me carreguem mesmo. Mas eu precisava ir até a casa de um amigo em Campo Largo, cidade vizinha de Curitiba, coisa rápida de 1h no máximo. O problema é que eu entrei em pânico, estava chovendo, eu estava no meio do nada e havia muitos caminhões - ou seja, eu não consegui ir pra frente.

O medo, esse medo incontrolável de ir pra frente quando se está no meio do caminho. Na situação na qual me encontro, prestes a viajar e viver situações completamente novas e desconhecidas, é bem interessante que eu tenha medo de seguir em frente. Tive medo de não enxergar direito,…