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Ao efêmero do que se é

[12 de julho de 2011]

Me perguntaram como me vejo daqui dez anos. Apesar da certa vergonha que me veio imediatamente (vergonha do que, afinal?) respondi que me via como escritora. O problema mesmo veio depois, quando pensei no que eu estava fazendo naquele momento para que isso acontecesse. Resposta rápida, fazia nada.

"Eu? Escritora? Estou longe disso, tenho muito o que aprender. Tenho que ler muito, muito mais para chegar aos pés de qualquer coisa que seja parecido com um escritor."

É, mas se eu continuar pensando assim vou morrer seca, então o negócio é o seguinte: eu sou escritora, está decidido. Por mais difícil que seja definir o que faz de um escritor, eu decidi que sou uma. De maneira geral não há um curso, um caminho, um guia, uma prova, nada que diga que a pessoa é ou não é escritor.

Para mim a resposta é muito mais simples: se eu deixo de escrever vou secando, não sonho mais. Escrever tudo, de tudo e para todos, sem limites, sem  preciosismos e, principalmente, sem medos.

E assim estou certa de duas coisas: de que sou escritora e de que vou morrer. Todo o resto é mutável.

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