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[10 de agosto de 2011]

Viver é um grande clichê e uma grande loucura. Todos sabem tudo, inclusive sabem que não sabem nada. Quietos, resignados, ninguém quer chorar seus problemas para quem não quer ouvir - mas, afinal, todos não querem ser ouvidos? Lembrados, reunidos, fotografados, reconhecidos, amados, plenos? Se caminhamos, se temos um objetivo, é natural que sejamos egoístas. Em algum momento querermos ser mais que o outro, queremos ser especiais, não é possível negar.

O reflexo é sempre difícil. Seus olhos no olhos, as verdades que contamos apenas para nós mesmos, uma montoeira de mentiras para o resto do mundo todos os dias. Estarei mentindo se eu disser que não sei mentir. Vou mentir hoje e amanhã e, para resumir a obra, mentirei eternamente enquanto você lê as minhas mentiras.

Entendo bem mas não entendo nada. Não nasci para entender, apenas para observar. Os caminhos deixados pela lesma nas calçadas. O céu, que mesmo negro, ainda guarda um resto de entardecer. As frestas da persiana, como se com gotas da última chuva refratadas pela luz e pelo vidro. A mulher que desce a ladeira orgulhosa por ter acabado de confessar suas aventuras amorosas para a amiga. As mãos sujas do feirante que me entrega as compras pouco antes de eu ir embora.

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