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[12 de agosto de 2011]

Maravilhada, abriu o pacote e a tirou da caixa. Seus cachinhos amarelos, sua roupinha branca e alaranjada, o barulho de sino que às vezes fazia ao ser sacudida. De algum lugar ela haveria de soltar barulho, pensou se colocando no lugar da boneca que tinha em mãos. Quem sabe nas costas, logo acima da cintura, e lá estava a alavanca, a chave para a musiquinha misteriosa: era uma boneca boba de corda.

Sabe-se lá quantas voltas recebeu a boneca tonta e tal foi o encantamento da mulher quando as notinhas agudas de Für Elise começaram a tocar. Segurou-a na altura dos olhos, a mais ou menos meio metro do rosto, e fixou os olhos na bonequinha.

Movimentava a cabeça vagarosamente, numa volta infinita, seus cachinhos dourados, a pele alva. Seus olhos verdes brilhavam como se, enquanto a boneca ganhava vida, a mulher paralisava-se num encantamento reverso: a boneca era ela.

Numa alegria desajeitada, não sabia se a boneca em suas mãos era sua por direito. Às vezes gostava tanto que não sabia se merecia o presente. Aos poucos a música ficava mais lenta e os movimentos mais travados. Numa aceitação torta, colocou-a na mesa ao seu lado para depois perguntar se aquele era mesmo o seu pacote.

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