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[15 de agosto de 2011]

Em frente o céu ia escurecendo, pelo retrovisor percebi que deixava a tarde alaranjada para trás. Senti o cheiro de tomate recém cortado, aquele calor em que a pele começa a grudar na roupa e percebi que começava a entardecer cada vez mais tarde, mesmo estando ainda em agosto. O cara gordo segurou firme sua mala carteiro enquanto corria afoito por entre os carros. Logo estava na calçada como mais alguém, sem a pressa de segundos antes. O sinal abriu e eu me esforcei para coordenar os pés por entre os pedais que tão bem conhecia, quase que um maniqueísmo forçado sobre como se deve dirigir. Eu sei, não pensar em estar seguro é estar seguro, já que se não há dúvida não há medo. Na rua reta tão conhecida, não haveria motivos para desconfiar da capacidade de seguir em frente, mas num óbvio rompante de vazio, o medo transforma-se em papel principal e o desejo é parar. Para a vida, chega da mentira de todos os dias, tapando um buraco oco que nos ocorre. Se medo não houvesse, eu seria um irresoluto e frágil joguete da minha mente que acreditaria ser forte. Verta a coragem e crie um monstro bem menos óbvio do que o esperado.

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