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Mostrando postagens de Outubro, 2011

[24 de outubro de 2011]

Hoje
Ainda que sim
E tarde fosse
Você aqui
Respira comigo
Dentro de mim
Janela aberta
E o frio que dá
Enquanto durmo
Sonho-te e acordo
Te querendo mais
Dos perfumes bons
Eu sei todos
Sou capaz de chorar
O que me divide
Mancha ferrugem
No chão de outono
As folhas quebram
E eu ando
A lembrança se transforma
Em madrugada

[18 de outubro de 2011]

Espero que ouça:
No silêncio e na solidão
As paredes falam
Apenas a luz da luminária
Refletida na parede branca
O sonho de ter um canto só meu
Tudo branco, tudo luz
Efêmero meu, aqui estou
Entregue e plena
Preenchida de amores sempre
Mas sozinha
Como quem deixa o palco
O show continua
Agora que já existe deixa viver
Eu com olhos de luz abri
Um segundo
Do outro lado do mundo
Mas quem será que está aí?

Nos meus dias
Tudo de ter é supérfluo
E tudo de amar é somado

[13 de outubro de 2011]

Já disse antes, gosto de tudo que é natural. A vida acontece todos os dias, sem pressa, como num bom momento contínuo. Não há perfeição nem planejamento nas relações humanas. Improvisar é preciso, criar, agir, sonhar - tudo que diz respeito a pessoas de qualquer lugar do mundo. Parece bobo, mas pessoas são pessoas em qualquer lugar. A incrível força que nos move dia após dia não muda. O que me move nunca vai mudar.

[11 de outubro de 2011]

Pessoas de todos os lados, andando rápido, sem parar para pensar. Sem ver os anúncios, as outras pessoas, o que estava acontecendo. Os trens com horários precisos, lotados de pessoas com celulares em punho, lendo qualquer coisa, dormindo, cambaleando pro lado, a moça dorme e roça os cabelos tingidos no ombro do senhor que dorme também - ou será que finge dormir? Pronto, pegar o trem errado significa chegar muito mais rápido aonde não se quer. Pergunta daqui, pergunta dali, entende-se metade mas se chega lá. Duas pernas e uma boca levam você a qualquer lugar.

[06 de outubro de 2011]

Tudo que me cerca
Com força imensa me invade
O frescor da noite
Os grilos cantando
As folhas ao vento
As sombras, as formas
Luzes, cheiros, cores
Abro os olhos, tudo novo
Onde estou?
Uma realidade tamanha
Que dói encarar
Dia após dia
Além mar
Sacudir-se, desmanchar-se
Quebrar-se para descobrir
Os lindos pedaços que eu
Me negava ver
Ontem sofri, hoje não sofro mais
Apenas caminho e
Caminho e
Caminho

[02 de outubro de 2011 - relato do corpo]

Estou apenas comigo mesmo há quase uma semana. No quarto eu até posso sentir o silêncio, o silêncio do nada, de ter somente o corpo para carregar e nada mais. Sempre me perguntei por que ando. Afinal, por que não paramos um dia e nos esquecemos em algum canto? Não é que não haja outra saída além de andar, mas nós somos ambiciosos, sempre queremos mais. Não basta o corpo, temos a fome. E não basta a comida, queremos algo gostoso, que nos faça bem. Não basta ser o melhor se ainda não for o suficiente.

Como seres humanos que somos vivemos muitas experiências. Colocados no mundo, simplesmente começamos a andar e continuamos. Mas pessoas são complexas, vivem, guardam e esquecem de contar o relato do corpo. Esquecem de contar a loucura que é viver aonde quer que se esteja. Viver dói e cansa, apesar de ser bom.

Me sinto numa espécie de retiro espiritual, sem ter com quem conversar e pensando exclusivamente em mim. Não sinto tédio, sinto apenas uma espécie de silêncio interno - eu tão dividid…