Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2011

[27 de dezembro de 2011]

Sinto nostalgia imensa Dos momentos que não vivi Daquilo que só vejo em foto Dos anos em que eu não era nascida Do doce sofrimento Em saber que em breve ou não Tudo o que conheço Terá mudado por completo Sinto saudade dos sorrisos gostosos Dos carinhos sinceros Do vento cortante Daquela música em que todos se divertiam tocando Dos imprevistos Das confissões E de tudo mais que não se pode fotografar

[23 de dezembro de 2011]

Aperta o coração
Uma felicidade pura
O vento lá fora
O sol pedindo passagem na janela
Uma música no YouTube
Um cobertor no colo
E o frio do inverno mais frio
Não adiantaria se não fosse o céu azul
As nuvens que passeiam sem pressa
Um potpourri de Jobim
E a certeza de que estou prestes
A chorar de felicidade

O dia em que pensei música

Numa xícara de café
Tomo a cidade inteira
Luzes cores cheiros
Sem açúcar na mesa
Minha língua marra
Engulo seco a manhã
Enquanto ainda é madrugada
A cidade me passeia
Conhece o que não conheço de mim
Me vasculha do início ao fim
Um casebre lá no morro
Um castelo de areia
Aquela foto rasgada
A rua XV cheia

Quem sabe eu só queira
Saber quem sabe
Mas não sei

Eu vago. E todas as minhas horas são vagas

Gosto das pessoas simples, daquelas que conseguem achar um ou dois afazeres para se distrair na vida. Algumas bobagens para esquecer que estão vivos. Mas eu sei tão bem que estou viva que não posso me dar a esse luxo. Não entro em rotinas, não sei me organizar, não consigo ficar parada. Quando penso que achei a chave para os meus anseios, uma semana passa e quero outra coisa totalmente nova e inusitada.

A minha fome é insaciável e provavelmente vou morrer com a minha fome. É incontrolável, quero tudo e nada, sempre diferente. Hoje estou aqui mas queria estar lá e amanhã quando eu estiver lá meu desejo será acolá além.

Admirável? Confuso? Não produzo, sou engolida pelos meus sonhos vivos, como plantas carnívoras que me arrancam a cabeça cada vez que penso em me estabelecer. Saudades eu tenho de tudo, até de respirar. Controle e equilíbrio são palavras fora do meu dicionário de sonhos perversos e inesperados.

O que você faz nas horas vagas? Eu vago. E todas as minhas horas são vagas.

O vicio em escrever

Aconteceu que, quando percebi, minhas mãos tremiam e a cabeça rodava. Já não conseguia dormir direito porque os pensamentos eram muitos, infinitos. Quando eu finalmente dormia, os sonhos me puxavam, eram estranhos e sugestivos, mundos complexos e em minha mente ecoava qualquer coisa parecida com "a história é muito boa, quando acordar preciso escrevê-la".

Minha grande frustração era acordar porque no mesmo instante eu esquecia as belas aventuras passadas. Era tão fantástico, tão perfeito e maravilhoso que talvez eu não merecesse saber o que acabara de sonhar. Restava a sensação.

Já cansado de buscar a ideia, quis apenas ficar em silêncio. Cheguei a pensar que talvez todo esse alvoroço interno fosse apenas uma impressão mal resolvida, uma válvula de escape, uma síndrome crônica de vagabundagem ou uma desculpa para não trabalhar.

Os dias que passo trancado são uma maravilha. Jogar-me no chão e olhar o teto branco por horas, sem necessidades ou aflições, só eu e o chão duro e s…