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O vicio em escrever

Aconteceu que, quando percebi, minhas mãos tremiam e a cabeça rodava. Já não conseguia dormir direito porque os pensamentos eram muitos, infinitos. Quando eu finalmente dormia, os sonhos me puxavam, eram estranhos e sugestivos, mundos complexos e em minha mente ecoava qualquer coisa parecida com "a história é muito boa, quando acordar preciso escrevê-la".

Minha grande frustração era acordar porque no mesmo instante eu esquecia as belas aventuras passadas. Era tão fantástico, tão perfeito e maravilhoso que talvez eu não merecesse saber o que acabara de sonhar. Restava a sensação.

Já cansado de buscar a ideia, quis apenas ficar em silêncio. Cheguei a pensar que talvez todo esse alvoroço interno fosse apenas uma impressão mal resolvida, uma válvula de escape, uma síndrome crônica de vagabundagem ou uma desculpa para não trabalhar.

Os dias que passo trancado são uma maravilha. Jogar-me no chão e olhar o teto branco por horas, sem necessidades ou aflições, só eu e o chão duro e sujo. Mas aos poucos a inquietação me toma quando percebo que estou curioso, sedento, coração acelerado, boca seca, frio, ansiedade. Sinto que vou morrer.

Me arrasto até aquele caderno, aquele mesmo manchado de café melado que eu costumo tomar, pego a caneta estourada de dentro da lixeira cheia de formigas e começo a desenhar as letras. Escrever qualquer coisa que não seja eu, minha vida sem graça e meus pensamentos vazios.

Enquanto recobro minhas energias, descubro-me insaciável, pego meu casaco e vou até a papelaria mais próxima.

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