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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

Editora Simplíssimo E-books - A Decepção

Em agosto de 2011 ficou pronto o meu primeiro e-book. Desde pequena eu sentia vontade de ter um livro e, como no momento não posso ter um livro em papel, optei pela versão digital mesmo. Me lembro ainda que, durante o processo de editoração do livro, a editora Simplíssimo havia acabado de oferecer também o serviço de venda de livros nos sites da Livraria Saraiva e da LivrariaCultura.

Pois bem, ontem recebi o seguinte email:

A partir deste mês, estamos suspendendo as vendas dos ebooks produzidos para autores, pela Simplíssimo. Infelizmente os resultados que obtivemos com vendas ficaram abaixo das nossas expectativas. 
Triste.

Sei bem que estou longe de ser uma ótima escritora, sucesso de vendas, que o meu livro está cheio de erros de digitação, mas informar que os livros não serão mais comercializados da noite pro dia é uma falta de respeito, não acham? Veja só, a Simplíssimo é uma editora, o que as editoras normalmente fazem? Propaganda dos livros à venda. Pelo menos as editoras que ta…

Morar-se sozinho num país distante

[27 de fevereiro de 2012]

Com menos de um mês para o fim da reclusão, posso enxergar o que antes eu era incapaz de ver. O que quero dizer é que percebo o que minha percepção antes não percebia, seja no cotidiano ou sobre mim mesma. Morar sozinha num país distante, muito longe de tudo o que você julga real e verdadeiro é como um caminho sem volta, a triste realidade: sua vida nunca mais será a mesma.

Eu sempre soube disso. Mesmo antes de partir, eu já o sabia.

Meu último encontro comigo mesma antes de sair do Brasil foi na despedida do aeroporto. A partir do momento que me vi atravessando o portão de embarque, eu e uma mochila nas costas, senti que só podia continuar a caminhada e nada mais poderia ser feito. As pessoas foram ficando menores até sumir.

Fazer novos amigos, conhecer lugares, passear, estudar, comprar coisas novas. Tudo muito óbvio e superficial. Me pergunto quantos conseguem descobrir-se profundamente morando-se sozinho.

Sim, morando-se. Eu me moro aqui, solitária, nesse…

Quando eu escrevi de frente para o mar

[28 de dezembro de 2011]

Três meses se passaram, para mim metade do caminho. Já deu tempo de muita coisa estando-se assim sozinha. Cansei e andar, perdi as malas, passei mal, aprendi a cozinhar, realizei um sonho, chorei de saudade, chorei de vontade, lavei roupas, vi e fotografei, amei ao som do jazz, sorri para estranhos, fui mal interpretada, briguei, aprendi muito e muito pouco, senti frio, enfrentei o medo, me perdi, usei três idiomas na mesma frase, madruguei, passei mais frio, passei o natal longe de casa, troquei a escova de dentes, quis apertar todos os bebês que vi, perguntei como chegar do outro lado, me virei do avesso, venci a preguiça e cheguei na praia.

Eu não conhecia a praia, salvo a vez que fui quando tinha sete anos, mas não tenho lembranças claras do meu primeiro contato com o mar, apenas a vertigem e o medo de ser engolida pela água.

No Brasil é verão, as praias devem estar lotadas, muito calor e pouco espaço. Enquanto isso eu aqui numa praia japonesa em Chiba, um…

Eu não sou Myllena mais

Um dos elementos mais enraizados do nosso ser é o nome. Se você estiver no meio de uma multidão e ouvir seu próprio nome, vai entrar em estado de alerta. O nome, o indicativo do eu, o que define o sujeito dentro do sujeito eu.

Ao escrever o título do post, fui incapaz de iniciar meu nome com letra minúscula. Incapaz. Ver meu nome sem o M maiúsculo foi como me ver minúscula e não sendo eu. Era outra myllena, uma myllena menor que não eu.

Olhar meu próprio nome escrito é como me olhar no espelho. A forte identificação, ligação certa, indestrutível, única, maternal, meu segundo cordão umbilical. Meu nome é o contato com meu eu mais lá de dentro, aquele que nunca conhecerei mas sei que existe, porque essa sou eu e me identifico.

Meu nome é como cantar junto com minha voz gravada, o mesmo timbre, as mesmas notas, o mesmo jeito, mesmos erros, o encontro perfeito e completo.

Mas o nome é tão automático, tão simples e tão usado que o ignoramos. Pense agora, é possível passar um dia sem ouvir …