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Eu não sou Myllena mais

Um dos elementos mais enraizados do nosso ser é o nome. Se você estiver no meio de uma multidão e ouvir seu próprio nome, vai entrar em estado de alerta. O nome, o indicativo do eu, o que define o sujeito dentro do sujeito eu.

Ao escrever o título do post, fui incapaz de iniciar meu nome com letra minúscula. Incapaz. Ver meu nome sem o M maiúsculo foi como me ver minúscula e não sendo eu. Era outra myllena, uma myllena menor que não eu.

Olhar meu próprio nome escrito é como me olhar no espelho. A forte identificação, ligação certa, indestrutível, única, maternal, meu segundo cordão umbilical. Meu nome é o contato com meu eu mais lá de dentro, aquele que nunca conhecerei mas sei que existe, porque essa sou eu e me identifico.

Meu nome é como cantar junto com minha voz gravada, o mesmo timbre, as mesmas notas, o mesmo jeito, mesmos erros, o encontro perfeito e completo.

Mas o nome é tão automático, tão simples e tão usado que o ignoramos. Pense agora, é possível passar um dia sem ouvir o próprio nome? Mesmo sozinhos, trancafiados em nós, o pensamento nos lembra o nome. Autoafirmação, porque se esquecermos quem somos e a palavra que nos dá forma nesse mundo, no que nos transformaríamos afinal?

E para que mentir que adoramos mentir? Apelidos, pseudônimos, nomes artísticos, nomes fantasia, abreviações... Queremos nos recriar, desmontar, remontar, inventar uma nova personalidade. Queremos ser quem não somos mesmo já nos sendo por demais.

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