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Intimidade na madrugada

[2012.08.02]

Não, não podia ser a mesma coisa - até porque não era. O silêncio e a calma da madrugada, só eu e o papel, sem nenhuma ameaça de que o sistema poderia falhar e a imaginação virar pó. Pense bem, não é a mesma coisa poder pegar o caderno e tê-lo perto do rosto, escrever na posição que lhe é mais confortável, sem a luz direta nos olhos e realizar fluxos de pensamento até quebrar a ponta da lapiseira, e quebrar mais uma vez. Escrever assim é um ato de amor, uma necessidade vital, mesmo que a ninguém alcance, não há como não se entregar ao prazer da carne, agarrar, segurar, fazer surgir letras com as mãos que seguram e não apenas tocam teclas. Não, não é mesmo igual.

Começar um livro, de verdade - quantas vezes já me disse que começaria um livro de verdade? - melhor começar logo um livro de verdade, antes de pensar nas desculpas todas que criei, desde minha pouca idade até a falta de capacidade, melhor que seja um livro todo. Mas como fazer um livro todo se sou-me assim aos pedaços?

Melhor começar o livro na tela do computador porque com o papel sou muito confessa.

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