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Mostrando postagens de Setembro, 2012

Erros e mais erros

Algo tem me incomodado esses dias: como podem os erros de uma pessoa serem mais importantes do que suas qualidades? Parece que "erros e mais erros" é uma frase que li todos os dias da minha vida, como um mote, um forte aviso de que os dias não seriam fáceis - e a culpa não seria minha, mas da visão dos outros.

Nos anos que passei basicamente trancada entre casa e escola eu tinha muito medo do olhar dos outros. Ficava pensando o que pensariam sobre mim as pessoas, os amigos, professores, cadeiras, pedras... Enfim, tudo e todos. Com o passar do tempo achei que era só uma impressão boba, que ninguém precisa pensar algo sobre mim. Hoje entendo que eu não estava tão enganada.

Quando decidi dar minha cara à tapa de verdade, me expor verdadeiramente depois de muito tempo de negação, vejo que nada mudou e meu medo talvez não fosse tão infundado, apenas um medo de adolescente: aos olhos do mundo meus defeitos são mais importantes do que minhas qualidades.

Como uma criança, eu me a…

cama de sol

O menino deitou-se na cama cheirando a sol e dormiu imediatamente. Envolvido pelos raios que tocaram seus cobertores durante o dia, teve sonhos com um misto de perfume da luz com seu próprio cheiro - em outras palavras, um cheiro bom de si mesmo.

Quando acordou já era um homem, era seis horas da amanhã e estava nublado, tão nublado que as camadas de sol que o cobriam não o deixaram ir embora.

Guardou a alma de menino enquanto dobrava os cobertores e saiu para trabalhar.

meio dia inteiro

Quando acordou, pensou que aquele dia seria completamente seu, mas já era meio dia. Se fosse um pouco mais perspicaz teria levantado assim que seus dois despertadores tocaram ruidosamente, mas ela mal consegue lembrar de os ter desligado. Não era questão de ser perspicaz, talvez fosse só um costume e, como costume, não era bom nem mau. Olhou a lista de afazeres, aquela lista que ela guarda dentro de si porque se cansou de anotar em agendas, cadernos ou papéis que se espalham com o vento.

Sempre que escreve desata um pedaço de si e esquece de imediato o que queria fazer.

E afinal, quando é que temos um dia inteiro?

Tudo Menos Tristeza (ou Uma Declaração de Amor ao Contrário)

O que eu teria feito para receber palavras tão duras? Um misto de tontura, enjoo, dor de barriga, cansaço e tristeza tomaram conta de mim e eu queria pular fora do mundo. A dor no peito era pungente e cheguei a sentir dores no braço esquerdo.

As palavras foram tão duras que não as consigo lembrar, como se escritas em uma língua estranha. Da compreensão só veio a dureza e a ameaça ao amor.

Mesmo com dor só consigo amar.

Isolada do mundo, dentro do carro estacionado, tento compreender as palavras na língua estranha. Chamei o amor demais de culpa e por isso fui julgada. Quando amo muito, me quebra o coração deixar quem amo para trás. Deixar quem me dedica tempo e carinho. A essa tristeza específica atribuí o nome de culpa e recebi o julgamento: a incompreensão do meu eu mais profundo.

O lado esquerdo do meu peito realmente dói agora, mas não posso parar.

Tristeza de verdade é o que sinto nesse momento, mas erroneamente há de se julgar tristeza a entrega segura em seus braços, as reclamaç…