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Erros e mais erros

Algo tem me incomodado esses dias: como podem os erros de uma pessoa serem mais importantes do que suas qualidades? Parece que "erros e mais erros" é uma frase que li todos os dias da minha vida, como um mote, um forte aviso de que os dias não seriam fáceis - e a culpa não seria minha, mas da visão dos outros.

Nos anos que passei basicamente trancada entre casa e escola eu tinha muito medo do olhar dos outros. Ficava pensando o que pensariam sobre mim as pessoas, os amigos, professores, cadeiras, pedras... Enfim, tudo e todos. Com o passar do tempo achei que era só uma impressão boba, que ninguém precisa pensar algo sobre mim. Hoje entendo que eu não estava tão enganada.

Quando decidi dar minha cara à tapa de verdade, me expor verdadeiramente depois de muito tempo de negação, vejo que nada mudou e meu medo talvez não fosse tão infundado, apenas um medo de adolescente: aos olhos do mundo meus defeitos são mais importantes do que minhas qualidades.

Como uma criança, eu me apego muito, para mim não basta trabalhar, porque eu amo de verdade. Amo tanto que me magoa, machuca e tira o meu prazer de viver. "Erros e mais erros", a frase pipoca na minha mente o dia inteiro e me traz lágrimas aos olhos, o que posso fazer? Escrever, porque escrever é a única coisa que sei fazer, mesmo do meu jeito torto e desagradável aos olhos do mundo.

Sei que está me julgando agora.

Apesar de ser uma delícia ter dinheiro, eu não trabalho por dinheiro, faço porque amo. Faço tudo com carinho, sinceridade. Se eu erro é porque sei tantas coisas que nenhuma delas é perfeita, infelizmente. Mas eu continuo fazendo, aceito o desafio porque amo e acredito na ideia, nada mais que isso.

Sei que estou sob ameaça.

Talvez por um defeito de fabricação eu seja toda errada mesmo, começando pelo fato de realmente abraçar a causa pela qual trabalho. Defender, pensar nisso dia após dia, matar aulas, fazer propaganda aos amigos, acionar contatos, etc. No entanto, cada um valoriza o que quer e não cabe a mim decidir o que acontecerá. Gosto mesmo do Wabi-sabi, um conceito estético japonês que prega que "a perfeição existe apenas na imaginação humana" e valoriza os defeitos naturais das coisas como sendo o verdadeiro belo. A beleza é imperfeita, impermanente e incompleta.

A beleza da vida é conviver melhor com essa imperfeição.

Comentários

Ale Machado disse…
Areia entre dentes.
YUME disse…
genki dashite!! shikataganai yone!!