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Tudo Menos Tristeza (ou Uma Declaração de Amor ao Contrário)

O que eu teria feito para receber palavras tão duras? Um misto de tontura, enjoo, dor de barriga, cansaço e tristeza tomaram conta de mim e eu queria pular fora do mundo. A dor no peito era pungente e cheguei a sentir dores no braço esquerdo.

As palavras foram tão duras que não as consigo lembrar, como se escritas em uma língua estranha. Da compreensão só veio a dureza e a ameaça ao amor.

Mesmo com dor só consigo amar.

Isolada do mundo, dentro do carro estacionado, tento compreender as palavras na língua estranha. Chamei o amor demais de culpa e por isso fui julgada. Quando amo muito, me quebra o coração deixar quem amo para trás. Deixar quem me dedica tempo e carinho. A essa tristeza específica atribuí o nome de culpa e recebi o julgamento: a incompreensão do meu eu mais profundo.

O lado esquerdo do meu peito realmente dói agora, mas não posso parar.

Tristeza de verdade é o que sinto nesse momento, mas erroneamente há de se julgar tristeza a entrega segura em seus braços, as reclamações corriqueiras, o sono tranquilo ao seu lado, a liberdade que se tem de brigar por nada para então reconciliar-se. Enquanto agora as lágrimas rolam em meu rosto, tenho a verdadeira tristeza e não quando durante um pequeno desentendimento meu olhar e minha expressão estampam o medo que tenho de te perder.

Enquanto os carros passam por mim em alta velocidade e me sacodem, percebo que abri todo o meu ser para você e me desconheci por completo. Explicar-me logicamente nunca foi uma especialidade minha, por isso te permito tomar conta das razões. Te deixo apenas com uma certeza sobre mim nessa vida:

Contigo tenho tudo menos tristeza.

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