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Mãe árvore, menina flor

Quando a menina perdeu a sapatilha na sarjeta, a mãe deu um sorriso, pegou o sapato e calçou sua filha. Era um sábado à tarde, no começo da primavera, e as flores lilás pintavam a calçada de luz difusa. Não fazia calor, mas mesmo assim a rua estava cheia de carros cheios de gente, obrigando mãe e filha a atravessarem a rua correndo.

A menina também vestia lilás, como uma flor caída. De mãos dadas com a mãe, um elo inseparável. Um elo de mãos. As mãos como galhos que seguravam e protegiam a menina flor. As mãos que se buscam na dúvida, que se movem por trabalho, que se perdem tateando na escuridão. As mãos que começam um amor e já me alcançaram.

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