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1º Sarau Capivara – 13.11.2012

Estava eu lá, enterrada no canto de um sofá, caderno de textos na bolsa, enquanto os demais participantes preparavam o que recitar. Começando com Leminski – poeta homenageado da noite – e passando para o “modo livre”, com trabalhos próprios ou de outros autores, eu me entreguei ao silêncio atento. Vi vários Paulos, alguns mais românticos, outros autobiográficos, ou ainda os que buscavam inspiração – ou a razão para ela. E eu lá, com atenção delicada, como aquela menina loira que ficou levemente vermelha depois de misturar Deus e trepadas num mesmo poema.

E o meu caderno de textos continuou na bolsa. Logo eu que me vi na descrição do sarau, aquela pessoa cansada de apenas postar, postar e esperar a repercussão dos textos online, soltos nesse mundão enorme chamado internet e que ninguém parece ver.

Observando. Meu silêncio é uma forma de concentração. O não dizer é simples encontro, é um não sentir necessidade de palavras por certo tempo. Quis mesmo deixar as palavras para depois, reunir assim num registro singelo o que acontece quando as pessoas ouvem umas as outras bem de leve, quase prendendo a respiração.

Acontecem vozes embriagadas, gritos e sussurros. Acontece um quase não ouvir, como se recitar fosse desprender o ar miasmático de dentro dos pulmões – e, por que não, de dentro do coração? Acontece uma coceira, como diria Leminski. A reação incontrolável depois da cócega, a risada e o incômodo. Acontece todo mundo junto, conhecidos ou não, mas todos reconhecidos. Acontece fácil, como se tivesse sido combinado. Ah, contece.

E a magia do silêncio que antecede os aplausos.

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