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Mostrando postagens de Abril, 2013

Foi como se

No final do dia ela disse “estou cansada”, mas por trás daquele cansaço todo havia uma pessoa cheia de energia mal aplicada, um dia após o outro de necessidades acumuladas, correndo atrás de alguns dias de folga mas a cabeça não para, quem sabe atrás de um silêncio que não existe e uma paz de muletas, não enxerga o pensamento incorreto, é preciso acordar cedo para um novo dia que brilha e reverbera louco, cheio de gente e carros correndo e correndo, todos atrás da mesma coisa só que diferente, e foi quando olhou para a página de um livro e pensou por um instante que estava morta, morreu por completo naquela hora, “morri”, pensou forte e foi como se estivesse morta mas em seguida dormiu profundamente e só acordou no outro dia para resolver tudo que se propôs a resolver e deixar de se sentir tão culpada por ser livre de tudo aquilo que os outros fingem ser.

Para ser corrompido

Parecia só uma bala para guardar um segredo, uma bala daquelas bem gostosas de morango com recheio mole dentro, meio azedinhas, logo veio um pacote delas e você lá, aceitando todas, se deliciando lentamente, elas estão derretendo na sua boca, machucando a sua língua e, junto com sangue, você descobre que o pacote de bala foi roubado de alguém que precisava mais daquelas balas que você, mas nem ligue, são apenas balas, todos roubam balas, homens de bem, homens honestos, homens trabalhadores, todos, em algum momento, já roubaram balas, sou apenas mais aproveitando um doce roubado, tão bom quanto os doces de infância, e para tê-lo precisei apenas guardar um segredo mixuruca, um detalhe bobo que ninguém precisa saber mesmo de tão bobo que é, uma informação tão corriqueira, acontece todos os dias diante dos nossos olhos e fingimos não ver, reclamamos das coisas como estão e continuamos a repetir o erro, a abrir mão dos nossos direitos, nos corrompemos aos pouquinhos, como um balão que vai…