Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2013

Tubo de Bambolês

A pequena passou debaixo da catraca do tubo Pinheirinho na Rui Barbosa e desatou a correr com seu vestido florido. Era um dia de sol depois de quase duas semanas de chuva em Curitiba e os adultos estavam todos em fila esperando o ônibus chegar. Em fila também correram as mulheres atrás da criança que se deliciava zanzando entre os grandes bambolês do tubo enquanto as demais gerações pediam até a ajuda de Deus para rapa-la. Esperta foi a irmã adolescente que, ao invés de permanecer na fila, foi pelo outro lado para cercar a criança, que logo estava na segurança dos braços da mãe levando uma bronca de leve, dessas que as mães sensatas dão em público. Um pena ela ter deixado de correr.

Livro Fluorescente

O jovem casal se aproximou do ponto de ônibus, não deviam ter mais de 18 anos, ela com a blusa combinando com a sapatilha vermelha, bolsa azul claro e calça jeans, cabelo liso e comprido, franja na altura da sobrancelha, livro na mão. Levava o livro como uma pasta preciosa de capa alaranjada, fluorescente no cinza de inverno da cidade, um nome conhecido escrito ali: Paulo Leminski. O ideograma/retrato do poeta feito por Claudio Seto fazia parte agora da troca de carinhos de um casal adolescente. E a moça sabia muito bem o que carregava, empunha seu escudo com todo respeito que merecia.

Quando ele foi embora ela ficou lá, livro na mão e olhar distante, acompanhando o rapaz.

Mais um amor lindo que se foi

Acabou. Foram anos de companheirismo, amizade, momentos bons e ruins, sonhos juntos, ideias compartilhadas, planos, devaneios, dinheiro, música, sol, chuva, passeios, cinema, projeções, jantares, noites mal dormidas e bem aproveitadas, frio, calor, sereno. Nesse tempo juntos nos acompanhamos tanto que até nos confundimos, as pessoas já nos viam como um só, inseparáveis, o par perfeito, não havia questionamentos nem dúvidas tão bem encaixados estávamos, tão certos éramos em nossos lugares.
Mas agora chegou ao fim. E quem nunca passou por isso?
Pergunto-me qual teria sido a minha primeira companhia na vida, o primeiro objeto ou o primeiro desejo que classifiquei como um sonho. Andar? Falar? Ter dentes? Ser igual a mamãe? E o meu brinquedo preferido? E o cobertor mais quentinho? Talvez em fotos da infância possamos identificar os elementos que fizeram parte das nossas vidas em outros tempos, nossos pequenos amores – e, por trás deles, encontraremos os grandes amores, sonhos que cultivam…

Meu perfil no Facebook não me representa

Lembro-me como se fosse hoje das primeiras sensações de seguir a vida de alguém pela internet – algo bem comum e amplamente aceito hoje em dia. Em 2005, época do auge do Fotolog, eu costumava seguir alguns contatos de contatos diariamente, vários desconhecidos que publicavam uma foto por dia e falavam nada sobre coisa alguma. Foi a primeira vez que tive a experiência de transportar as pessoas que via em foto para o meu convívio, como se já as conhecesse previamente, com um julgamento de caráter já formulado. Havia também, naturalmente, toda a magia e o mistério de transformar as figurinhas da minha memória em pessoas que se mexiam, eram palpáveis e continuavam existindo na rede.
Hoje, com o Fotolog praticamente morto e o auge do Facebook, é natural prejulgarmos toda a nossa timeline status após status, curtindo e compartilhando o que condiz com nossos pensamentos e ideologias (sim, acredito que todos temos ideologias). Mas, por outro lado, me pergunto até que ponto uma rede social po…