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Mais um amor lindo que se foi

Acabou. Foram anos de companheirismo, amizade, momentos bons e ruins, sonhos juntos, ideias compartilhadas, planos, devaneios, dinheiro, música, sol, chuva, passeios, cinema, projeções, jantares, noites mal dormidas e bem aproveitadas, frio, calor, sereno. Nesse tempo juntos nos acompanhamos tanto que até nos confundimos, as pessoas já nos viam como um só, inseparáveis, o par perfeito, não havia questionamentos nem dúvidas tão bem encaixados estávamos, tão certos éramos em nossos lugares.

Mas agora chegou ao fim. E quem nunca passou por isso?

Pergunto-me qual teria sido a minha primeira companhia na vida, o primeiro objeto ou o primeiro desejo que classifiquei como um sonho. Andar? Falar? Ter dentes? Ser igual a mamãe? E o meu brinquedo preferido? E o cobertor mais quentinho? Talvez em fotos da infância possamos identificar os elementos que fizeram parte das nossas vidas em outros tempos, nossos pequenos amores – e, por trás deles, encontraremos os grandes amores, sonhos que cultivamos por um tempo e depois deixamos de lado quando mudamos, crescemos.

É triste, eu sei, perceber que o sonho de outrora não é mais tão significativo. O tempo dedicado, a energia empregada, a lembrança de todo um trabalho que não rendeu os frutos que esperávamos e, no final das contas, morreu dentro de nós. A perspicácia é uma qualidade admirável, mas de nada adianta quando o que acaba não é a energia, mas sim o sonho em si.


Quando o sonho deixa de ser o seu fiel companheiro de aventuras pela vida, não há mal nenhum em trocá-lo por outro, não é exatamente uma traição, você foram apenas por caminhos diferentes, não são mais os mesmos de antes. Em alguns casos dar um tempo pode ser uma boa solução, assim você respira novos ares, tem contato com outros sonhos e volta para o original já renovado. No entanto, alguns relacionamentos dentro de nós estão fadados a acabar – ou se transformam em sonho realizado.

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