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Meu perfil no Facebook não me representa

Lembro-me como se fosse hoje das primeiras sensações de seguir a vida de alguém pela internet – algo bem comum e amplamente aceito hoje em dia. Em 2005, época do auge do Fotolog, eu costumava seguir alguns contatos de contatos diariamente, vários desconhecidos que publicavam uma foto por dia e falavam nada sobre coisa alguma. Foi a primeira vez que tive a experiência de transportar as pessoas que via em foto para o meu convívio, como se já as conhecesse previamente, com um julgamento de caráter já formulado. Havia também, naturalmente, toda a magia e o mistério de transformar as figurinhas da minha memória em pessoas que se mexiam, eram palpáveis e continuavam existindo na rede.

Hoje, com o Fotolog praticamente morto e o auge do Facebook, é natural prejulgarmos toda a nossa timeline status após status, curtindo e compartilhando o que condiz com nossos pensamentos e ideologias (sim, acredito que todos temos ideologias). Mas, por outro lado, me pergunto até que ponto uma rede social pode representar uma pessoa para às vezes sermos tão exigentes com o que ela posta ou deixa de postar.

Nesses dias de manifestações vi um comentário sem fundamento em uma foto alheia, era algo do tipo “o fulano não tem nada no perfil dele sobre manifestações, é um alienado”, seguido por mais uns três indivíduos apoiando o pensamento. Oras, a pessoa é uma alienada só porque não compartilhou alguma foto / link / status relacionado às manifestações? Ela pode estar doente, sem internet, trabalhando ou simplesmente não ter a necessidade de dizer algo só para mostrar que está por dentro do assunto.


Se já é difícil conhecer profundamente alguém mesmo depois de anos de convivência, tirar uma conclusão sobre a personalidade baseado em um perfil do Facebook é praticamente impossível. Na internet somos capazes de criar personagens de nós mesmos, mostrando apenas os momentos felizes e os pensamentos mais bem elaborados para então sermos curtidos, compartilhados e vistos por muitos – e isso não significa que o verdadeiro EU é o da internet. Meus amigos, o EU é bem mais difícil de encontrar.

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