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Mostrando postagens de Setembro, 2013

cadernovo

Busco uma enorme página marfim com a qual eu possa colocar toda a conversa em dia, falar das futilidades, trivialidades que percorrem a mente em dias de sol como hoje, enquanto eu fui eu o dia inteiro, euforias e eufemismos constantes, da paz meditativa até a ansiedade depois do café da tarde, pois é assim que se desenham meus dias, quando penso que está tudo resolvido chega o BOOM e me abala, às vezes o estrondo é inaudível, mas por algum motivo eu ouço, nem que seja como uma mosquinha zumbindo eu sempre ouço, você também deveria tentar ouvir esses barulhos, faz bem saber o que nos faz mal para que volte a fazer bem, exorcizar os relaxos e inflar os caprichos, continuar fazendo ou voltar a fazer tudo o que nos faz bem, como desenhar as primeiras palavras em um novo caderno, um desses velhos cadernos da minha coleção na gaveta do criado mudo ao lado da cama, luminária de luz quente acessa, revelando pensamentos que eu mal sabia que estavam na cabeça misturados com flashes de memória …

Conversando sobre conversar

- Basta abrir a boca e libertar algumas palavras, algumas futilidades.
- Como se fosse assim tão fácil.
- É bem fácil, posso te garantir. Pense nas conversas que você tem durante o dia, são diálogos normais, sem jogos de pergunta e resposta.
- E se uma dúvida surgir, como agora?
- Aí você tenta transformar em um comentário que gere a resposta que procura.
- Só que nem sempre funciona.
- E é natural. Mas sabe, às vezes a dúvida é tão trivial que se perde durante a conversa. Deixemos o assunto fluir leve.
- Gosto de pensar assim, mas ainda tenho medo que nosso diálogo não se desenvolva muito...
- O papo tem que seguir tranquilo, sem cobranças ou indagações desnecessárias, pois é assim conhecemos melhor as pessoas, em momentos descontraídos.
- Engraçado pensar que algumas são capazes de falar sobre si de maneira leve, sem dramas ou impessoalidades demasiadas.
- Ah, isso que é elegância! Demonstrar alguns rabiscos de si ocasionalmente e sem segundas intenções.
- Mas ficam as lacunas...
- …

(des)

suponho-te solto
e desalinho
arredo o desenredo
e susurro baixinho
erros vários
cor de anil
desmembro linhas
descasco flores
desenterro
desmaio
e desisto

refração

quando pensei em me calar
o tempo chegou
e mastigou o que eu dizia
vomitou-me
um mar de ideias
em sopa de letrinhas
no qual nado nado nado
e nada acontece
afogo-me como um gato
que se escalda com prazer
sem prazo para submergir
sem subúrbios para explorar
e sem estripolias para polir

quando pensei em desistir
vieram anos e anos e anos
e mais anos ainda me mostrar
uma fresta no resto do fundo
dizendo que foi pouco quase nada
de um nado nada sincronizado
meus pedaços todos díspares
disparando em todas as direções
ações de pequenos berros diários
somados repetidos refratados
abandonando-me bem baixinho
para que ninguém perceba
quando eu me juntar

quando pensei no tempo
o silêncio chegou
e foi tão inútil
quanto cada palavra que já escrevi
cada ideia que transpirei
cada gesto para alcançar
cada sonho que cativei
sou tão pequena que até me envergonho
de tão plena me orgulhar
inflar correr bradar
a cada passo passa um espaço
entre eu e minha completa
inutilidade