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Conversando sobre conversar

- Basta abrir a boca e libertar algumas palavras, algumas futilidades.
- Como se fosse assim tão fácil.
- É bem fácil, posso te garantir. Pense nas conversas que você tem durante o dia, são diálogos normais, sem jogos de pergunta e resposta.
- E se uma dúvida surgir, como agora?
- Aí você tenta transformar em um comentário que gere a resposta que procura.
- Só que nem sempre funciona.
- E é natural. Mas sabe, às vezes a dúvida é tão trivial que se perde durante a conversa. Deixemos o assunto fluir leve.
- Gosto de pensar assim, mas ainda tenho medo que nosso diálogo não se desenvolva muito...
- O papo tem que seguir tranquilo, sem cobranças ou indagações desnecessárias, pois é assim conhecemos melhor as pessoas, em momentos descontraídos.
- Engraçado pensar que algumas são capazes de falar sobre si de maneira leve, sem dramas ou impessoalidades demasiadas.
- Ah, isso que é elegância! Demonstrar alguns rabiscos de si ocasionalmente e sem segundas intenções.
- Mas ficam as lacunas...
- Mesmo que você faça milhares de perguntas as lacunas nunca sumirão por completo. As lacunas servem para alimentar nossa imaginação...
- E criar expectativas.
- Ah, as expectativas, o que esperamos das pessoas, o que elas esperam de nós... Nem a conversa de uma vida inteira pode resolver essa questão.
- Mas uma conversa tão longa assim é quase impossível de ser mantida. É tão fácil de distrair, perder o rumo.
- Os assuntos morrem, acabam mesmo. Não é culpa de ninguém, às vezes o telefone toca, o sono chega ou não nos sentimos confortáveis em conversar sobre o mesmo assunto quando uma terceira pessoa aparece. O importante é lembrar que o diálogo precisa começar e terminar naturalmente.
- Tem vezes que o silêncio é conversa.
- Tem vezes.

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