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pãezinhos

Final de tarde, horário de verão. Ao entrar na panificadora, já vê uma fila enorme, pelo menos seis pessoas na sua frente. Um movimento inesperado para o início do ano mas, como um bom curitibano, entra na fila sem pestanejar. O que estariam esperando todas aquelas pessoas ali? “Oi, Baiano, tudo bem? Quantos pães vai querer?” “Tudo sim, você querer três pães, por favor.” “E a senhora, vai querer quantos?” “Seis, mas eu prefiro os mais queimadinhos.” Nada perguntam para ele. Um silêncio estranho se fez em meio a toda aquela gente e a resposta chegou: estavam todos esperando o pão fresquinho.

Ah, o primeiro pão fresquinho do ano a gente não esquece. Recém-saído do forno, macio, cheiroso, até a manteiga mais durona se derreteria por ele de tão gostoso que é. Ninguém naquela fila queria nada além dos pães novinhos, as mãos suando durante a espera, a expectativa nas alturas e, de repente, o som dos bloquinhos de massa caindo na caixa de madeira anuncia a sua chegada.

Havia gente de todo o tipo naquela fila. A primeira a ser atendida foi uma mulher pequena, por volta dos 50 anos, com cara de mal humorada. Estava sentada na banqueta ao lado do balcão, mão segurando o queixo, visivelmente cansada. “Quantos pães pra você mesmo?”. Já o senhor alto, grisalho e de óculos logo atrás dela parecia salivar, não se sabe se pela chegada dos pães ou porque finalmente seria atendido. Havia duas mães com seus respectivos filhos em pontos distintos da fila, uma delas deixou bem claro que só levaria dez pães caso eles estivessem queimadinhos “Tivemos que tirá-los branquinhos mesmo do forno, você pode esperar um pouquinho?” e, assim foi convencida pela atendente que falava tudo no diminutivo.

Em questão de minutos, cerca de oito pacotes de pão foram enchidos e entregues aos clientes, que encaminhavam-se ao caixa sorridentes, como se carregassem um troféu. No entanto, o destino da nona pessoa na fila fora um pouco mais cruel. A mulher loira, magrela e baixinha nada mais queria do que cinco míseros pães para alegrar sua tarde, mas foi recebida com uma resposta em diminutivo: “Você pode esperar mais um pouquinho?”.

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